O uso de tecnologias de inteligência artificial (IA) por pequenas e médias empresas (PMEs) na Espanha mais que dobrou entre 2024 e o primeiro trimestre de 2026, alcançando entre 30% e 35% das empresas. Em contraste, grandes corporações já utilizam IA em cerca de 70% de suas operações. Essa disparidade, segundo o Banco de Espanha, reflete uma tendência persistente, com a brecha de adoção tecnológica entre PMEs e grandes empresas permanecendo em níveis similares aos de dois anos atrás.

O estudo, baseado em dados da Encuesta del Banco de España sobre la Actividad Empresarial (EBAE) e da Central de Balances Integrada (CBI), indica que empresas que adotam IA tendem a apresentar maiores níveis de produtividade, salários mais altos e uma maior intensidade em ativos intangíveis. Setores como informação e comunicação lideram a adoção, com 60% de empresas utilizando ferramentas preditivas ou generativas, um salto significativo em relação a 2024. Mesmo setores tradicionalmente menos digitalizados, como agricultura e construção, aceleraram a incorporação de IA, aproximando-se de 30% de implantação.

IA e o Mercado de Trabalho: Um Impacto Contido

No que diz respeito ao impacto no mercado de trabalho, a introdução da IA nos últimos três anos demonstrou um efeito limitado. Cerca de 89% das empresas não registraram variações significativas em seus quadros de funcionários. Contudo, entre as companhias que fazem uso intensivo de IA generativa, observou-se um cenário mais dinâmico: 13% expandiram suas equipes, enquanto 10% reduziram o número de trabalhadores. Essa dualidade sugere que a IA, em vez de promover cortes generalizados, pode levar a reestruturações específicas, com a criação de novas funções e a otimização de outras.

Produtividade e Eficiência Impulsionadas pela IA

Mais de 25% dos negócios pesquisados relatam aumentos na produtividade e nos níveis de investimento após a implementação de IA. As empresas que utilizam IA generativa com maior intensidade são ainda mais otimistas, com mais de 60% afirmando ter experimentado avanços significativos em produtividade e investimento durante o período analisado. Esses resultados reforçam a ideia de que a IA não é apenas uma ferramenta de automação, mas um motor de eficiência e inovação, capaz de gerar valor tangível para as empresas.

Barreiras à Adoção e Perspectivas Futuras

A escassez de pessoal qualificado figura como a principal barreira para a adoção de IA, afetando metade das empresas, especialmente em setores como indústria, energia e agricultura. Para as empresas que ainda não adotaram a tecnologia, que representam aproximadamente 70% do tecido empresarial, as restrições de recursos financeiros e operacionais são os obstáculos mais citados. As previsões para os próximos três anos indicam que 61% das grandes empresas esperam um impacto positivo da IA na produtividade, em comparação com apenas 27% das PMEs. Além disso, 79% das grandes organizações planejam reforçar a formação de seus funcionários e 62% preveem a contratação de perfis mais especializados.

As PMEs espanholas demonstram um avanço notável na adoção de IA, mas a necessidade de superar barreiras como a falta de mão de obra qualificada e recursos limitados será crucial para que elas possam competir de forma mais equitativa com as grandes corporações. O futuro do mercado de trabalho e da produtividade na Europa dependerá, em grande medida, da capacidade dessas empresas em integrar e alavancar o potencial transformador da inteligência artificial.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España