A promessa da Inteligência Artificial (IA) de transformar negócios esbarra, em muitos casos, em retornos abaixo do esperado. Empresas que implementam ferramentas de IA em estruturas de trabalho preexistentes colhem apenas melhorias marginais. A verdadeira revolução, contudo, exige mais: a reinvenção de fluxos de trabalho e a colocação da IA a serviço das pessoas. Pesquisas indicam que apenas uma minoria de organizações (cerca de 5%) está efetivamente redesenhando suas operações, enquanto a maioria se limita a otimizar o que já existe. A experiência em empresas como ServiceNow e IBM sugere que o sucesso com IA não é uma questão de tecnologia isolada, mas sim de uma estratégia robusta que coloca as pessoas no centro.
Construindo a Base: Dados e Governança
A jornada para uma operação eficaz com IA começa com uma fundação sólida de dados e governança. Ao reconstruir seu modelo operacional de RH com IA, a ServiceNow adotou uma abordagem de "começar do zero", o que permitiu a transição de projetos piloto isolados para um processo estruturado. Essa metodologia incluiu governança clara, responsabilidade definida e um plano de escalabilidade para evitar o caos. Becky Schmitt, vice-presidente executiva e Chief People Officer da PepsiCo, ecoou essa necessidade de estrutura ao priorizar a higiene de dados e o bem-estar de todos os funcionários, incluindo aqueles em funções de linha de frente e fábricas. Com dados limpos e definições transparentes, a confiança dos funcionários na IA aumenta, acelerando a adoção. Schmitt destacou cinco princípios para a adoção de IA: foco humano, justiça, transparência, responsabilidade e segurança desde o início. Processos claros e papéis bem definidos permitem que as pessoas trabalhem de forma mais rápida e inteligente, e a governança é o pilar que constrói essa confiança.
Capacitando Pessoas com Habilidades Relevantes
A demanda por habilidades técnicas ligadas à IA, como qualidade de dados, desenvolvimento de software e análise, continua a crescer. No entanto, as chamadas "capacidades humanas" — como agência, velocidade de aprendizado e inteligência emocional — também ganham destaque. Omar Abbosh, CEO da Pearson, observa essa dinâmica e aponta que a adaptabilidade e o design thinking permitem que as pessoas evoluam mais rápido que o ambiente. A reestruturação de ocupações, compreendendo como agentes de IA interagem com humanos e como estes podem supervisionar e orquestrar tais sistemas, leva a um novo modelo operacional. Este modelo envolve processos, sistemas e a motivação cultural necessária para a mudança. O aprendizado em tempo real, integrado ao trabalho diário, supera os programas tradicionais de requalificação. Recomendações personalizadas de aprendizado, alinhadas ao uso da IA nas funções de cada um, ajudam os funcionários a entenderem o propósito e o valor do julgamento humano em suas tarefas, tornando o aprendizado mais rápido e eficaz.
Transformando a Força de Trabalho com Preparo para Mudanças
Apesar do aumento na adoção de IA, muitos funcionários desconhecem a estratégia de IA de suas organizações. Essa desconexão exige que os líderes promovam uma preparação contínua e adaptativa para a mudança. Essa é frequentemente a parte mais desafiadora de uma transformação, por sua complexidade e abstração, pois implica mudar fundamentalmente a forma de trabalhar. Nickle LaMoreaux, SVP e Chief Human Resources Officer da IBM, utilizou um framework "Raio-X" para repensar a organização com uma mentalidade AI-native. Desde o início, a IBM priorizou os funcionários, redesenhando funções e garantindo que se sentissem confortáveis com a tecnologia. Ao mapear as habilidades atuais em relação às necessidades futuras e identificar as áreas mais urgentes para redesenho, a empresa compartilhou essa análise com os colaboradores. LaMoreaux enfatiza a necessidade de redesenhar empregos, focando nas tarefas e habilidades subjacentes, em vez de considerar o emprego como um todo. Essa análise é crucial para que os líderes antecipem as futuras demandas de habilidades à medida que a IA remodela o trabalho.
A integração bem-sucedida da IA em ambientes corporativos não é um mero upgrade tecnológico, mas uma profunda reconfiguração das operações, das habilidades e da cultura organizacional. As empresas que lideram essa transição demonstram que o investimento em IA deve vir acompanhado de um investimento igualmente robusto no capital humano, garantindo que a tecnologia amplifique, e não substitua, o julgamento e a capacidade humana.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fast Company





