A inteligência artificial (IA) se consolidou como uma ferramenta indispensável na jornada de compra para quase metade dos consumidores brasileiros. Segundo o estudo “O Mapa da Busca no Brasil”, realizado pela Optimiza Marketing em parceria com a AB Pesquisas, Insights e Tendências, 46,5% dos entrevistados utilizam ferramentas como ChatGPT, Gemini e Copilot com frequência (diariamente ou algumas vezes por semana) para auxiliar em suas pesquisas. A pesquisa, que ouviu mil consumidores com 18 anos ou mais em dezembro de 2025, indica uma mudança significativa no comportamento do consumidor, que busca na IA mais do que simples recomendações ou ofertas.

O levantamento, divulgado cerca de três meses após o lançamento do Modo IA do Google em português, revela que a principal finalidade do uso da IA na pesquisa de compra é a obtenção de explicações detalhadas e o esclarecimento de dúvidas técnicas sobre produtos ou serviços, citado por 45% dos participantes. Em seguida, 25% utilizam a IA para resumir avaliações de outros consumidores, e 24% buscam recomendações personalizadas. Curiosamente, apenas 4% recorrem à IA para procurar ofertas ou cupons, e 9% para comparar produtos, demonstrando que o papel da IA, neste momento, é mais interpretativo e educativo do que puramente transacional ou de caça a descontos.

IA como ferramenta de aprofundamento e interpretação

O estudo sugere que a IA está atuando como um filtro e um aprofundador de informações. Quando consumidores não encontram respostas claras no Google, 21% deles recorrem aos chatbots. Isso evidencia uma lacuna na forma como as informações estão sendo apresentadas ou encontradas através dos motores de busca tradicionais. A IA, ao processar e sintetizar informações de diversas fontes — como especificações técnicas, avaliações de clientes e conteúdos de terceiros —, oferece um nível de detalhe e clareza que pode ser crucial para a decisão de compra. A CEO da Optimiza Marketing, Júlia Neves, destaca que a pergunta para as marcas mudou de “em que posição minha marca aparece no Google?” para “o que a IA responde quando alguém pergunta sobre ela?”. Se as empresas não fornecem conteúdo claro e consistente, abrem espaço para que concorrentes respondam melhor às necessidades dos consumidores.

O ciclo de validação entre IA e Google

Apesar do crescimento dos chatbots, o Google ainda mantém sua relevância. Para 54,2% dos entrevistados, a IA complementa o buscador, enquanto apenas 16,5% a veem como substituta. O comportamento de comparar respostas entre diferentes ferramentas de IA (48%) e validar informações no Google (71%) demonstra uma jornada de compra circular e cada vez mais complexa. O consumidor inicia a pesquisa na IA, busca confirmação no Google, consulta sites e marketplaces, criando um ciclo de validação onde a coerência das informações em todas as plataformas se torna um pilar da reputação digital de uma empresa. Nome do produto, descrições, especificações técnicas, preços e avaliações precisam ser consistentes para garantir a confiança do consumidor e a correta interpretação pelos sistemas de IA.

A evolução para agentes autônomos e o futuro do SEO

Lisane Andrade, CEO e cofundadora da Niara, aponta que a próxima fronteira será a dos agentes de IA capazes de realizar tarefas em nome do usuário. Para isso, os sites precisarão ser preparados para serem lidos e interpretados por esses agentes, o que ainda é incipiente. A otimização para ferramentas generativas não significa abandonar o SEO tradicional, mas sim integrá-lo. Elementos como páginas rastreáveis, arquitetura da informação, respostas diretas, dados estruturados, fontes confiáveis e autoridade continuam sendo fundamentais. A diferença reside na necessidade de clareza e organização de dados para que os agentes de IA possam identificar corretamente produtos, condições e etapas de ações, ampliando as exigências sobre a estrutura técnica e a apresentação das informações.

Perguntas em aberto e o caminho adiante

O estudo levanta questões importantes sobre a adaptação das empresas a essa nova realidade. Como as marcas podem garantir que suas informações sejam interpretadas corretamente pela IA? Qual o impacto a longo prazo na visibilidade de marcas que não otimizam seu conteúdo para chatbots? A jornada de compra se torna mais eficiente ou apenas mais fragmentada com a introdução desses novos agentes? A necessidade de conteúdo claro, consistente e estruturado para ser lido tanto por humanos quanto por máquinas parece ser o caminho mais promissor. A forma como as empresas responderão a essa demanda definirá sua presença e sucesso no ecossistema digital em evolução.

A jornada do consumidor na era da IA está apenas começando, e a capacidade de adaptação das marcas será crucial para navegar neste cenário dinâmico e cada vez mais dependente de inteligência artificial. A busca por informação se aprofunda, e a clareza na comunicação se torna a nova moeda de troca.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · TIInside