A gestora de ativos Ibercaja Gestión projeta um terceiro trimestre marcado por pressões inflacionárias, impulsionadas principalmente por incertezas geopolíticas no Irã. Segundo o diretor de análise da firma, Óscar del Diego, a complexidade do cenário internacional sugere que os preços de bens e serviços devem manter uma tendência de alta durante os meses de julho, agosto e setembro, contrariando expectativas de um alívio imediato.

Apesar do tom cauteloso em relação aos preços, a gestora mantém uma perspectiva otimista para os mercados de renda variável. A tese central é que, uma vez superado o ruído geopolítico, os investidores voltarão a focar nos fundamentos corporativos, que permanecem sólidos. A recomendação da casa é clara: evitar a liquidação de posições em favor de contas correntes e manter a disciplina no longo prazo.

O impacto da geopolítica e o papel dos bancos centrais

O cenário de inflação projetado pela Ibercaja está diretamente atrelado aos desdobramentos no Oriente Médio. A persistência do conflito no Irã atua como um vetor de pressão sobre os preços de energia, especificamente petróleo e gás. Contudo, a gestora observa que a situação atual ainda se mantém dentro do espectro de previsões do Banco Central Europeu (BCE), o que, teoricamente, permitiria à autoridade monetária manter as taxas de juros de referência estáveis, desde que os custos energéticos não disparem.

Já em relação à Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed), a análise aponta para uma dinâmica distinta. A gestão de expectativas conduzida por membros da instituição teria fortalecido a confiança nas moedas tradicionais, o que, por consequência, justificaria a desvalorização recente de ativos como o ouro e criptomoedas. Embora o mercado financeiro ainda precifique uma subida de juros antes do encerramento do ano, a Ibercaja acredita em uma postura mais contida por parte do Fed.

Estratégias para a renda variável

No campo da renda variável, a gestora destaca dois setores prioritários: tecnologia e financeiro. Para as empresas de tecnologia, a recomendação é de permanência, apesar da volatilidade esperada no curto prazo após o desempenho positivo observado no primeiro semestre. A tendência de médio e longo prazo permanece favorável, segundo a instituição.

O setor financeiro, por sua vez, é visto como um beneficiário direto do ambiente de taxas de juros mais elevadas. O repunte nos juros desde dezembro oferece margens mais robustas para os bancos, além do suporte adicional gerado pela intensa atividade em mercados financeiros, o que beneficia diretamente as áreas de banco de investimento e gestão de ativos da firma.

Oportunidades no Velho Continente e diversificação

Com o dólar operando em patamares elevados, a Ibercaja enxerga uma janela de oportunidade para o aumento da exposição ao mercado europeu, especialmente para investidores que possuem uma concentração excessiva em ativos americanos. A gestora sugere que, embora as perspectivas econômicas para a Europa sejam mais contidas, os preços atuais refletem esse risco e oferecem um ponto de entrada atrativo, beneficiando-se mais diretamente de uma eventual resolução do conflito no Irã.

Como alternativa de diversificação, a firma aponta para o mercado asiático. O foco, segundo a estratégia da casa, deve ser a neutralização do ruído de curto prazo. A recomendação final é a de não ceder ao pânico diante da volatilidade típica entre agosto e outubro, mantendo o compromisso com um plano de investimentos estruturado para o longo prazo.

Perspectivas e incertezas no horizonte

Apesar da clareza na estratégia de alocação, a gestora reconhece que o cenário permanece envolto em incertezas. A trajetória dos preços energéticos e a real capacidade de resposta dos bancos centrais diante de choques externos continuam sendo os principais pontos de atenção para os próximos meses.

O mercado financeiro, por natureza, raramente apresenta um cenário completamente transparente. A capacidade do investidor de olhar além da névoa momentânea e manter a consistência na alocação de ativos será, segundo a Ibercaja, o diferencial para a performance do segundo semestre.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España