O Ibovespa registrou uma alta expressiva de 7,7% na segunda-feira (5 de outubro), impulsionado pela surpresa do mercado com os resultados do primeiro turno das eleições de 2026 e um influxo de quase R$ 10 bilhões em investimentos estrangeiros. Contudo, nos dias seguintes, o índice apresentou leves perdas, um movimento atribuído por especialistas a uma natural realização de lucros. Josias Bento, sócio e especialista de investimentos da GT Capital, destacou em entrevista ao programa Giro do Mercado, do Money Times, que o investidor estrangeiro, em mercados emergentes como o Brasil, tende a operar com uma perspectiva de curto prazo, focando em oportunidades de "trade".

Small caps em alta e Embraer na contramão

Essa dinâmica de mercado tem favorecido as empresas de menor capitalização (small caps), que figuram entre as maiores altas do período. Bento explica que o perfil dessas companhias as torna mais sensíveis a flutuações na taxa de juros, beneficiando-se de cenários de maior liquidez. Em contrapartida, ações de empresas com forte exposição cambial, como a Embraer (EMBR3) — que registrou a segunda maior queda do dia, de cerca de 4,8% — e a Vale (VALE3), sentem o impacto de uma desvalorização acentuada e rápida do dólar. Essa correlação direta com a moeda americana explica a performance negativa desses ativos em momentos de apreciação do real.

O fator fiscal como chave para o fluxo estrangeiro

Bento aponta que, apesar do recente movimento, ainda há considerável espaço para um aumento ainda maior na participação de investidores estrangeiros na bolsa brasileira. A condição para essa expansão, no entanto, reside na clareza e na solidez das propostas de responsabilidade fiscal que emergirão do processo eleitoral. Até o momento, nenhum dos principais candidatos apresentou planos detalhados sobre o ajuste fiscal. A percepção de que a questão fiscal será tratada com seriedade e eficiência após a definição do segundo turno é vista como um gatilho crucial para atrair um fluxo de capital mais robusto e sustentado.

Ibovespa rumo aos 210 mil pontos?

Na ótica da GT Capital, a resolução favorável da questão fiscal poderia impulsionar o Ibovespa a um novo patamar, com projeções que indicam a possibilidade de o índice alcançar e se manter na casa dos 210 mil pontos até o final do ano. Essa meta ambiciosa, contudo, está intrinsecamente ligada ao detalhamento e à credibilidade das medidas de ajuste fiscal que serão apresentadas. Bento sugere que essas informações mais concretas sobre a política fiscal deverão ser divulgadas apenas após a conclusão do segundo turno eleitoral, momento em que o mercado poderá precificar de forma mais assertiva os riscos e oportunidades fiscais.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times