O Ibovespa recuperou o fôlego na segunda parte do pregão desta quinta-feira (11), encerrando as negociações com alta de 1,71%, aos 171.497,24 pontos. A reação positiva do mercado brasileiro acompanhou o otimismo global após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizar a possibilidade de um acordo com o Irã, o que reduziu as tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Simultaneamente, o dólar à vista encerrou o dia em queda de 1,37%, cotado a R$ 5,1016. O movimento reflete a melhora imediata do apetite a risco, que também beneficiou as principais bolsas de Wall Street e o setor financeiro local, mesmo diante da expectativa de dados de inflação que serão divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira.

Geopolítica como motor de curto prazo

A volatilidade dos mercados nas últimas semanas tem sido ditada, em grande medida, pelas incertezas sobre o conflito no Oriente Médio. Quando declarações de líderes globais sugerem uma distensão, o capital institucional tende a migrar rapidamente de ativos de proteção para ações de maior risco, como as listadas no Ibovespa.

Vale notar que, embora Israel e Irã tenham negado oficialmente a existência de um memorando de entendimento, o mercado financeiro operou com base na percepção de alívio. Esse comportamento demonstra a fragilidade da estabilidade atual, onde o preço dos ativos reage mais à retórica política do que aos fundamentos econômicos de longo prazo.

O impacto nas blue chips e commodities

O setor financeiro, representado pelo Índice Financeiro (IFNC), foi um dos principais motores do dia, com alta de 2,46%. O Itaú (ITUB4), com forte peso na carteira do índice, subiu 2,85% e liderou o volume de negócios, evidenciando como a liquidez do mercado brasileiro permanece concentrada em grandes instituições bancárias quando o cenário externo melhora.

A Vale (VALE3) também apresentou um desempenho atípico ao subir 1,31%, mesmo com a queda do minério de ferro na China. Esse descolamento sugere que o fluxo de investidores estrangeiros para o Brasil, motivado pelo otimismo macro, pode estar sobrepondo as dinâmicas específicas de oferta e demanda da commodity. Já a Petrobras seguiu a tendência do petróleo Brent, recuando em linha com a commodity.

Tensões inflacionárias no radar

Enquanto o mercado externo celebrava a trégua política, o cenário doméstico permanece sob vigilância. A expectativa para o IPCA de maio, com mediana das projeções indicando avanço anual a 4,68%, coloca pressão sobre a política monetária. A desaceleração mensal frente a abril ainda não é suficiente para eliminar as preocupações com a trajetória da inflação em 12 meses.

A reação à inflação será o próximo teste para o Ibovespa, que agora precisa sustentar os ganhos recentes. Se os dados confirmarem a pressão de preços, o alívio geopolítico pode ser rapidamente ofuscado pela necessidade de manutenção de juros em patamares elevados.

Caminhos para a volatilidade

A incerteza sobre a veracidade do acordo entre EUA e Irã mantém o prêmio de risco elevado. Investidores devem observar se o otimismo de hoje se traduz em fundamentos concretos ou se será apenas um movimento de curto prazo. A estabilidade do dólar e o comportamento dos juros futuros nos próximos dias serão indicadores cruciais para definir a sustentabilidade desta recuperação.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times — Mercados