O mercado imobiliário de luxo na Espanha não é para todos — e, aparentemente, nem para todas as regiões. Um levantamento do portal Idealista, com dados de junho, revela uma concentração geográfica extrema: 86% de todas as residências com preço acima de €1 milhão estão localizadas em apenas seis das 50 províncias do país. Málaga, Madri, as Ilhas Baleares, Barcelona, Alicante e Girona formam o clube exclusivo que atrai a maior parte do capital.

A estatística, reportada pela Forbes España, vai além de uma simples curiosidade de mercado. Ela pinta um retrato da polarização econômica e social do país, expondo duas "Espanhas" que coexistem em velocidades distintas. De um lado, um circuito cosmopolita e globalizado; do outro, vastas regiões que operam à margem dos grandes fluxos de investimento internacional.

O mapa da riqueza imobiliária

Os números detalham essa divisão. Das 46.454 propriedades de luxo listadas na Espanha, Málaga e Madri abocanham, cada uma, 20% do total. As Ilhas Baleares (17%), Barcelona (12%) e Alicante (12%) completam o topo da lista. Essa geografia não é acidental: ela espelha os polos de turismo de alta renda, centros de negócios internacionais e refúgios para o capital estrangeiro, um padrão que encontra paralelos em balneários e capitais brasileiras, ainda que em outra escala.

A concentração se acentua no segmento de "ultraluxo", com imóveis acima de €3 milhões. Aqui, Málaga (35%) e as Ilhas Baleares (28%) dominam de forma ainda mais contundente, respondendo por quase dois terços do mercado. A leitura é que essa faixa de preço é movida menos pela demanda local e mais por investidores de fora, muitos em busca de "golden visas" ou simplesmente de um porto seguro para seu patrimônio, um fenômeno que redesenhou o mercado imobiliário em cidades como Lisboa e Miami.

Na outra ponta do espectro, províncias como Soria e Palencia não possuem um único imóvel listado acima do milhão de euros. O dado não sinaliza um fracasso, mas sim uma vocação econômica distinta, distante do glamour imobiliário. A questão que fica é o impacto dessa hiperconcentração nas cidades que a protagonizam, onde a escalada de preços pressiona a habitação para os residentes locais — um debate cada vez mais presente em metrópoles globais.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España