Um incêndio de grandes proporções na concessionária Frank Kent Cadillac, em Fort Worth, Texas, mobilizou bombeiros por quase 18 horas para controlar as chamas que consumiram seis SUVs elétricos da marca, incluindo modelos Escalade IQ, e danificaram outros dois. O incidente, ocorrido em 9 de outubro, expôs as dificuldades inerentes ao combate a incêndios em veículos elétricos (EVs), que se propagaram rapidamente de um carro para os demais.

Inicialmente, as equipes de combate a incêndios não identificaram os veículos como elétricos. "À medida que as equipes combatiam o incêndio que se espalhava rapidamente de um SUV para outro, eles perceberam que todos eram veículos elétricos", informou o Corpo de Bombeiros de Fort Worth (FWFD) em uma publicação nas redes sociais. A natureza das baterias de alta voltagem e o design à prova d'água dos pacotes de bateria tornam a dissipação do calor e o acesso à fonte das chamas significativamente mais desafiadores do que em veículos a combustão interna.

O Desafio do Combate a Incêndios em EVs

O combate a incêndios em veículos elétricos apresenta desafios únicos que exigem estratégias e equipamentos adaptados. Ao contrário dos veículos tradicionais movidos a gasolina, os EVs possuem baterias de íon-lítio que, quando em combustão, atingem temperaturas extremamente elevadas e podem entrar em um ciclo de fuga térmica. Esse processo libera gases inflamáveis e pode levar a reignições mesmo após o fogo aparente ter sido extinto. A estrutura selada das baterias dificulta a penetração da água para resfriar as células, um método essencial para controlar o calor.

O incidente na Frank Kent Cadillac serviu como um doloroso lembrete dessa realidade. As fotos divulgadas pelo FWFD mostram a intensidade do fogo e o esforço hercúleo dos bombeiros para contê-lo. O uso de mantas especiais para incêndios em veículos, que ajudaram a conter a propagação das chamas para outros carros e a proteger a infraestrutura da concessionária, foi crucial. No entanto, essas mantas não impedem a fuga térmica e requerem monitoramento contínuo e um período de observação prolongado após o combate, conforme recomendado por institutos de pesquisa em segurança contra incêndios.

Implicações para Segurança e Infraestrutura

O tempo prolongado de combate e a natureza perigosa do incêndio levantam questões importantes sobre a infraestrutura de segurança e os protocolos de emergência para lidar com veículos elétricos. À medida que a frota de EVs cresce globalmente e no Brasil, a necessidade de treinamento especializado para bombeiros e de equipamentos adequados torna-se cada vez mais premente. A capacidade de resposta rápida e eficaz é fundamental para minimizar danos a propriedades, proteger vidas e garantir a segurança pública.

Além do risco de incêndio, a questão do descarte e manuseio de veículos elétricos acidentados ou danificados também ganha relevância. O risco de reignição persiste por dias ou semanas após o incidente inicial, exigindo protocolos claros para o transporte e armazenamento seguro desses veículos. A colaboração entre fabricantes de automóveis, corpos de bombeiros e empresas de reciclagem é essencial para desenvolver soluções abrangentes que abordem todo o ciclo de vida dos veículos elétricos, desde a fabricação até o descarte final.

Protocolos de Combate a Incêndios em EVs

Pesquisas e relatórios de institutos como o UL Research Institute's Fire Safety Research Institute detalham procedimentos específicos para o combate a incêndios em EVs. A estratégia inicial recomendada é a supressão com água, similar ao combate de incêndios convencionais em veículos, focando em extinguir o fogo no compartimento de passageiros para reduzir a exposição ao calor e aos produtos químicos. A contenção da bateria deve ser feita com supervisão até que a fuga térmica cesse, evitando a perfuração ou abertura do pacote de bateria, o que pode agravar a situação.

O uso de mantas de incêndio, embora útil em cenários operacionais limitados para conter a propagação, não é a estratégia primária de supressão e não impede a fuga térmica. É crucial que os bombeiros estejam cientes dos riscos latentes de reignição e deflagração, especialmente em ambientes fechados. Após a extinção, a observação contínua do veículo para identificar riscos de reignição é vital, com a recomendação de escoltar caminhões de reboque e manter uma distância de segurança de outros materiais combustíveis.

Perguntas em Aberto e o Futuro

O incidente em Fort Worth, embora heroico em sua resolução, destaca uma lacuna na preparação para um futuro cada vez mais eletrificado. A questão central não é se os EVs são inerentemente mais perigosos, mas sim como a infraestrutura de segurança pública e privada está se adaptando a essa nova tecnologia. A velocidade com que as montadoras introduzem novos modelos e tecnologias de bateria, muitas vezes superando a capacidade de regulamentação e treinamento, exige uma vigilância constante e um investimento contínuo em pesquisa e desenvolvimento de protocolos de segurança.

O que permanece incerto é a velocidade com que os departamentos de bombeiros em todo o mundo, incluindo os do Brasil, conseguirão implementar treinamento e adquirir os equipamentos necessários para lidar com a crescente frota de veículos elétricos. A colaboração internacional e o compartilhamento de melhores práticas serão fundamentais para garantir que a transição para a mobilidade elétrica seja acompanhada por um avanço correspondente na segurança contra incêndios e na capacidade de resposta a emergências.

Os 18 horas de combate a este incêndio servem como um chamado à ação para que governos, fabricantes e serviços de emergência trabalhem juntos na criação de um ecossistema seguro para veículos elétricos. A segurança pública deve ser a prioridade máxima, garantindo que todos os envolvidos estejam preparados para os desafios únicos que essa tecnologia apresenta.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · The Autopian