A inteligência artificial deixou de ser uma promessa teórica para se tornar um componente ativo da estratégia de 56,5% das incorporadoras brasileiras. Segundo dados da pesquisa “Panorama da Inteligência Artificial no Mercado Imobiliário Brasileiro 2026”, desenvolvida pela Morada.ai em parceria com a BCB Inteligência e a Upload, o setor atravessa um momento de transição acelerada, onde a eficiência operacional passou a ser o principal motor de investimento tecnológico.
O levantamento destaca que a transformação digital, embora em estágio inicial de consolidação, já impacta áreas críticas como o marketing comercial e o gerenciamento de obras, ambos citados por 31,6% das empresas. A leitura editorial aqui é que o setor imobiliário, historicamente caracterizado por processos analógicos e pesados, encontrou na IA uma via de escape para reduzir custos e elevar a precisão na tomada de decisão estratégica.
O estágio de maturidade tecnológica
A adoção de ferramentas de IA no mercado imobiliário brasileiro ainda é predominantemente dependente de soluções de terceiros, com 67,9% das empresas optando por contratar plataformas prontas, enquanto apenas 15,4% investem no desenvolvimento de tecnologias proprietárias. Esse cenário reflete uma cautela típica de setores de capital intensivo, onde o risco de implementar soluções customizadas pode ser elevado demais frente à velocidade das mudanças no ecossistema de LLMs.
Vale notar que a maior parte das empresas, cerca de 41,7%, iniciou essa jornada nos últimos três anos. O uso de ferramentas como Claude, ChatGPT e Gemini demonstra que a barreira de entrada foi reduzida, permitindo que incorporadoras de diferentes portes — com destaque para aquelas entre 51 e 200 colaboradores — testem a tecnologia sem a necessidade de uma infraestrutura de TI robusta desde o primeiro dia.
Mecanismos de eficiência e produtividade
Por que a IA se tornou um pilar central para essas empresas? A resposta reside nos ganhos de produtividade e na melhoria do atendimento ao cliente, apontados por 35% e 31,2% dos respondentes, respectivamente. A tecnologia atua como um facilitador em processos que exigem alto volume de dados, como o controle financeiro e a automação de processos, permitindo que as equipes foquem em atividades de maior valor agregado em vez de tarefas repetitivas.
O movimento sugere que a IA está sendo usada como uma ferramenta de otimização de recursos. Ao integrar a inteligência artificial no gerenciamento de obras, as empresas conseguem prever gargalos com maior precisão, o que impacta diretamente a margem de lucro. A capacidade de transformar testes pontuais em governança corporativa será, segundo analistas do setor, o divisor de águas entre as empresas que apenas sobrevivem e as que ganham escala.
Desafios e o capital humano
Apesar dos números positivos, o setor enfrenta barreiras que transcendem a implementação técnica. A dúvida sobre o retorno do investimento, citada por 23,8% das empresas que ainda não utilizam IA, revela uma lacuna importante na mensuração de resultados. Além disso, a falta de equipes preparadas (19,5%) indica que o gargalo real para a inovação não é o software, mas a capacidade humana de orquestrar essas novas ferramentas dentro da cultura organizacional.
Para o ecossistema brasileiro, a implicação é clara: a capacitação profissional será o próximo grande campo de batalha. Não basta contratar o acesso a uma API de IA se a liderança não souber como integrar essa tecnologia aos processos de governança e decisão. A transição para a próxima fase da transformação digital exigirá uma mudança de mentalidade que privilegie a experimentação estruturada e o aprendizado contínuo das equipes.
Perspectivas para o mercado imobiliário
O que permanece incerto é a sustentabilidade dessa adoção em cenários econômicos mais restritivos. Se o foco atual é a eficiência, como as empresas reagirão quando a pressão por inovação exigir investimentos mais vultosos em infraestrutura de dados própria? A resposta provavelmente virá da capacidade das incorporadoras de integrar seus sistemas legados com as novas camadas de inteligência.
Observar a evolução da governança de dados será fundamental para entender se o setor conseguirá, de fato, escalar a IA. O otimismo atual é justificado pela agilidade demonstrada até aqui, mas a consolidação dependerá da capacidade de transformar o interesse inicial em resultados financeiros mensuráveis e sustentáveis a longo prazo.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · TIInside





