A confiança interpessoal é um pilar invisível, mas fundamental, para a coesão social e o funcionamento de qualquer comunidade. Em um mundo cada vez mais conectado, mas paradoxalmente polarizado, entender o grau em que as pessoas confiam umas nas outras oferece um vislumbre sobre a saúde de nossas sociedades. Uma pesquisa recente da Ipsos, realizada em 31 países, buscou mapear precisamente essa confiança, revelando um mosaico de percepções que vai desde a forte crença na bondade alheia até um ceticismo generalizado.
No topo desse espectro, a Índia emerge como um farol de confiança, com 53% de seus cidadãos afirmando acreditar na confiabilidade de seus concidadãos. Essa cifra é notável, especialmente quando comparada a outras nações. Em seguida, a América Latina se destaca, com Argentina (46%) e México (45%) apresentando níveis de confiança surpreendentemente altos, superando todas as nações europeias incluídas no estudo. Essa proeminência latino-americana sugere que fatores culturais e comunitários, talvez mais fortes em algumas regiões, desempenham um papel crucial na formação dessas percepções.
No extremo oposto do espectro, o Japão figura na última posição, com apenas 16% de seus habitantes expressando confiança em seus concidadãos. Contudo, a análise dos dados japoneses revela uma nuance importante: 64% dos entrevistados optaram por uma resposta neutra, posicionando-se no meio da escala de confiança. Isso indica que, para muitos japoneses, a questão não é de desconfiança ativa, mas sim de uma hesitação ou uma falta de convicção explícita na confiabilidade alheia. Esse fenômeno se repete em outras economias asiáticas, como Coreia do Sul e Singapura, que também apresentam baixos índices de confiança explícita, mas altas porcentagens de respostas neutras.
A pesquisa da Ipsos, que entrevistou mais de 23.500 adultos online entre junho e julho de 2026, destaca que a ausência de confiança explícita não se traduz, necessariamente, em desconfiança generalizada. Em muitos países, a maioria dos respondentes se encontra em um terreno intermediário, sem expressar nem confiança nem desconfiança. A Indonésia, por exemplo, embora classificada em décimo lugar em confiabilidade (36%), ostenta a menor taxa de desconfiança explícita (10%), reforçando a ideia de que a hesitação é um fator tão ou mais relevante quanto a convicção.
Esses resultados nos convidam a refletir sobre a natureza multifacetada da confiança. Ela não é um monólito, mas um espectro complexo, influenciado por fatores culturais, sociais e até mesmo pela forma como as pesquisas são conduzidas. Enquanto a Índia celebra um alto grau de fé em sua população, o Japão nos mostra que a ausência de confiança pode ser tão reveladora quanto sua presença. A questão que permanece é: em um mundo em constante mudança, como cultivamos e mantemos os laços de confiança que nos unem?
Source · Visual Capitalist





