A consultora tecnológica Inetum reportou uma redução de 56,9% em seu consumo elétrico no período entre 2021 e 2025. O volume de energia utilizada pela companhia caiu de 4,7 milhões de quilowatts-hora (kWh) para pouco mais de dois milhões, segundo dados apresentados em sua recente "Memoria de Sostenibilidad 2025".

O resultado foi impulsionado pela implementação de medidas de eficiência nas instalações e pela utilização da Synergica, uma plataforma proprietária de monitoramento e otimização energética em tempo real. A empresa afirma que a eletricidade consumida em suas unidades na Espanha provém de fontes renováveis com garantias de origem, o que permite zerar as emissões de escopo 2 pelo critério baseado em mercado.

A tecnologia como alavanca de eficiência

O caso da Inetum exemplifica uma tendência crescente no setor de consultoria tecnológica: a internalização de ferramentas de gestão para controle de ativos. A utilização da plataforma Synergica permite que a empresa identifique gargalos de desperdício em tempo real, transformando o consumo de infraestrutura digital em uma variável gerenciável, e não apenas um custo fixo inevitável.

Essa abordagem reflete uma mudança estrutural na forma como empresas de tecnologia encaram a sustentabilidade. Em vez de depender apenas de compensações externas, a organização integrou critérios ESG diretamente na tomada de decisão estratégica, tratando a descarbonização como um pilar de competitividade operacional e não apenas como uma obrigação regulatória ou de imagem.

O conceito de sobriedade digital

Um dos pontos centrais da estratégia da Inetum é a adoção do conceito de "sobriedade digital". Este modelo busca reduzir o impacto ambiental da digitalização através de práticas como o prolongamento do ciclo de vida dos equipamentos e a minimização do consumo energético de serviços em nuvem. No último ano, a empresa reutilizou 573 equipamentos e doou outros 262 dispositivos.

Essa postura visa mitigar o impacto ambiental associado à infraestrutura de TI, um desafio que se tornou ainda mais complexo com a expansão dos modelos de Inteligência Artificial generativa. A empresa defende que a IA deve ser desenvolvida sob princípios éticos e de eficiência, equilibrando a inovação tecnológica com a responsabilidade pelo consumo energético dos data centers.

Implicações para o setor de tecnologia

Para o ecossistema corporativo, a experiência da Inetum sinaliza que a eficiência energética é um diferencial competitivo direto. Ao alinhar sua operação aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, a companhia tenta demonstrar que a transformação digital, quando executada de forma responsável, gera valor real para clientes e acionistas, além de mitigar riscos operacionais.

Para concorrentes e reguladores, o movimento levanta questões sobre os padrões de transparência no setor. A capacidade de medir e reduzir o consumo de energia em tempo real torna-se uma exigência para empresas que operam infraestruturas críticas, especialmente em um cenário global onde a pressão por relatórios de sustentabilidade mais rigorosos é crescente.

Perspectivas e desafios futuros

O desafio para a Inetum, e para todo o setor de serviços de TI, reside em manter essa trajetória de eficiência enquanto a demanda por processamento de dados continua a crescer exponencialmente. A eficácia da sobriedade digital será testada à medida que a implementação de IA se tornar mais intensiva e onipresente nas operações dos clientes.

O mercado observará se a integração de IA responsável e economia circular conseguirá compensar o aumento natural do consumo de energia exigido pelas novas tecnologias. A sustentabilidade deixará de ser um projeto isolado para se tornar o próprio alicerce sobre o qual a inovação será construída nos próximos anos.

A transição para modelos digitais mais enxutos não é apenas uma escolha ética, mas uma necessidade econômica frente à volatilidade dos preços de energia e às exigências de governança corporativa. O sucesso da Inetum até 2025 oferece um precedente prático, mas a sustentabilidade de longo prazo dependerá de uma evolução constante nas práticas de governança e na arquitetura tecnológica adotada.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España