A economia peruana registrou uma alta de 0,07% no Índice de Preços ao Consumidor (IPC) em agosto, um movimento marginal que, no entanto, eleva a inflação acumulada em 12 meses para 4,44%. Os dados foram divulgados pelo Instituto Nacional de Estadística e Informática (INEI) do país e reportados pela Forbes España.

O número, aparentemente modesto, chega em um momento delicado. O Banco Central de Reserva del Perú (BCRP) mantém, há dez meses consecutivos, a taxa de juros em 4,75%, uma postura contracionista que visa justamente ancorar as expectativas e trazer a inflação de volta à meta. O resultado de agosto, portanto, serve como um termômetro da eficácia dessa estratégia e um sinalizador para os próximos passos da autoridade monetária.

Entre a trégua e a pressão

Uma análise mais detalhada dos componentes da inflação revela uma dinâmica de forças opostas. Por um lado, houve um alívio importante com a queda de 0,33% nos preços de alimentos e bebidas não alcoólicas, item de grande peso no orçamento das famílias. Essa trégua, contudo, foi neutralizada por pressões em outros setores.

Os custos de alojamento, água, eletricidade e gás subiram 0,88%, enquanto os transportes avançaram 0,49%. Essa composição sugere que, embora a pressão de commodities agrícolas possa estar arrefecendo, a inflação de serviços e preços administrados continua resiliente. A variável subjacente, que exclui os itens mais voláteis como alimentos e energia e é um indicador mais fiel da tendência inflacionária, cresceu apenas 0,02%, um sinal de que a política monetária pode estar surtindo efeito no núcleo do problema.

O cenário peruano espelha um dilema familiar aos formuladores de política monetária na América Latina, incluindo o Brasil: o balanço entre controlar a inflação sem sufocar a atividade econômica. A decisão do BCRP de manter os juros elevados indica que a prioridade absoluta segue sendo a estabilidade de preços, mesmo que a um custo no curto prazo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España