Três minutos. Um cronômetro implacável e uma buzina para quem ousa ultrapassar o tempo. Este é o cenário da "Batalha de Pitch", evento promovido pelo inovabra, o hub de inovação do Bradesco, que condensa em um palco a jornada de uma startup em busca de capital e clientes.

A premissa é simples e direta: empreendedores de qualquer setor têm a chance de apresentar suas soluções a uma audiência qualificada de investidores, executivos de grandes empresas e parceiros tecnológicos. O formato, que já soma 25 edições em três anos, se consolidou como um ponto de encontro relevante no ecossistema paulistano, atraindo mais de 4 mil inscritos e cerca de 200 fundos de investimento ao longo de sua história.

Além do pitch, a conexão

Mais do que um exercício de oratória, o evento funciona como uma ponte para negócios concretos. A proposta de valor não está apenas na visibilidade momentânea, mas nas portas que se abrem após a apresentação. Para startups em estágio inicial, o acesso a executivos de grandes corporações é um ativo tão ou mais valioso que o próprio capital de risco.

Os casos citados pela organização ilustram essa tese. A Quick Digital, da solução de pagamentos PalmPay, iniciou conversas com o grupo Edenred (dono da Ticket) após uma edição do evento. Já a eMiolo, que atua com inteligência artificial para análise de riscos comportamentais, relata que a participação gerou aproximações com gigantes como Latam, Odebrecht e a própria Bradesco Seguros, resultando em novos negócios. O prêmio para os vencedores — uma mentoria de pitch — reforça o foco no desenvolvimento do empreendedor, e não apenas na competição.

Curadoria para o ecossistema

Para o inovabra, a iniciativa cumpre um papel estratégico duplo. De um lado, oferece um benefício tangível à comunidade de startups, ajudando a validar soluções e acelerar o desenvolvimento. Do outro, funciona como um funil de curadoria para o próprio Bradesco e seus parceiros, que ganham acesso a um fluxo constante e pré-filtrado de inovação.

Nas palavras de Paulo Emediato, head de growth e comunicação do hub, o objetivo é criar um ambiente que gere valor para clientes, parceiros e investidores. A longevidade e os números do programa sugerem que o modelo encontrou seu espaço. Em um ecossistema cada vez mais denso, eventos que formalizam e otimizam o networking deixam de ser um acessório e se tornam parte da infraestrutura de mercado.

Para fundadores, é a chance de testar a resiliência de sua narrativa sob pressão. Para o mercado, é um termômetro da nova safra de negócios que busca espaço. Tudo em 180 segundos.

Com reportagem de Brazil Valley

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