A Inversis, gestora espanhola especializada em serviços financeiros, anunciou uma mudança tática em sua alocação de ativos para o terceiro trimestre de 2026. A estratégia foca na diversificação através de investimentos alternativos, como crédito privado, infraestrutura e real estate, onde a firma projeta retornos anuais entre 8% e 12%. Segundo relatório da instituição, o movimento é uma resposta direta à crescente concentração de capital nos grandes nomes da inteligência artificial nos Estados Unidos, cenário que, segundo a firma, eleva o risco de uma bolha especulativa.

Para a Inversis, a previsibilidade da política monetária americana tornou-se um ponto de atenção crítica. A atual postura do Federal Reserve (Fed) introduziu um regime de maior incerteza, com uma parcela significativa dos membros do comitê indicando a possível manutenção de juros restritivos ou novas altas. Esse ambiente de volatilidade reforça a decisão da gestora de priorizar a liquidez e ativos de menor duração, buscando proteger o patrimônio diante de um cenário macroeconômico global ainda marcado por pressões inflacionárias e crescimento econômico desigual.

Aposta em alternativos e crédito

A preferência da Inversis por ativos alternativos reflete a busca por retornos descorrelacionados das oscilações diárias das bolsas globais. O crédito privado, em particular, ganha destaque na carteira como uma fonte de rendimento estável em um momento em que os mercados públicos de ações demonstram sinais de exaustão. A gestora mantém uma visão cautelosa em relação aos títulos soberanos e bônus de longa duração, preferindo o 'carry' em detrimento da duração pura.

No mercado europeu, a estratégia prioriza o 'investment grade' e o 'high yield', com estimativas de retorno entre 4% e 8%. A entidade observa que, embora o gasto em defesa e energia sustente a política fiscal no continente, o impacto positivo no PIB ocorre com atraso. Com a inflação europeia na faixa de 3,2% nos relatórios recentes e o crescimento revisado para 0,9%, a cautela com os diferenciais periféricos permanece como uma diretriz central para os gestores da casa.

O novo regime do Federal Reserve

A dinâmica recente da autoridade monetária americana alterou as expectativas dos investidores. A Inversis destaca que a comunicação do Fed tornou-se menos clara, dificultando a precificação da trajetória futura dos juros. Com a maioria dos membros do FOMC ainda inclinada a manter ou elevar as taxas, a gestora opta por manter uma posição relevante em liquidez, que, com juros curtos entre 3,75% e 4,2%, deixou de ser apenas um custo de oportunidade para se tornar uma ferramenta estratégica de preservação.

Rotação para emergentes e Europa

A visão da Inversis aponta para uma valorização relativa dos mercados europeus e emergentes. A tese é sustentada por avaliações de mercado mais razoáveis e pela expectativa de um dólar estruturalmente mais fraco. Embora a depreciação do dólar esteja atualmente em uma pausa, a gestora acredita que os fatores estruturais que pressionam a moeda americana persistem, o que favorece o fluxo de capital para geografias que ainda não foram precificadas com o mesmo otimismo dos EUA.

Perspectivas e commodities

No campo das commodities, a Inversis mantém uma visão construtiva, especialmente para os setores industrial e energético. A cobertura parcial em energia é vista como uma proteção necessária contra instabilidades geopolíticas, como a situação no estreito de Ormuz. Quanto ao ouro, a posição permanece neutra, equilibrando o suporte de fundo dado pela fraqueza do dólar contra o custo de oportunidade gerado pelos juros reais mais elevados.

O cenário para o final do ano continua dependente da capacidade das economias desenvolvidas em absorver os ajustes de juros sem comprometer o crescimento. A transição para um regime monetário menos previsível nos EUA sugere que a volatilidade deve permanecer no radar dos investidores pelos próximos meses. A estratégia da Inversis reflete, acima de tudo, a busca por uma gestão de risco mais rigorosa em um ambiente onde as certezas de curto prazo tornaram-se escassas.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España