A retórica de Teerã escalou de forma contundente. Mohammad Baqer Qalibaf, o principal negociador do Irã, declarou em uma postagem na rede social X que ninguém poderá vender petróleo na região se o seu país for impedido de fazê-lo. A mensagem foi direta: “A equação desta guerra é clara: ou tudo ou nada”.

A declaração, reportada pelo InfoMoney, não é apenas uma bravata, mas um sinalizador da disposição do Irã em utilizar sua principal alavanca geopolítica: o controle sobre o Estreito de Ormuz, a via marítima mais importante do mundo para o transporte de petróleo. Ao condicionar a segurança do estreito à ausência de forças americanas, Qalibaf joga um jogo de alta pressão, mirando não apenas Washington, mas todos os países dependentes do fluxo de energia do Golfo Pérsico.

A arma do Estreito

A ameaça de fechar o Estreito de Ormuz é uma tática recorrente do Irã, acionada em momentos de máxima pressão econômica e militar, especialmente diante de sanções. O que muda agora é a franqueza da linguagem. A expressão 'ou tudo, ou nada' remove ambiguidades e posiciona qualquer confronto futuro em termos existenciais para o regime e para a estabilidade energética regional.

Para o mercado global, a implicação é imediata. Mesmo que a ameaça não se concretize, a simples verbalização já injeta um prêmio de risco significativo nos preços do barril de petróleo. A declaração funciona como um teste de nervos para a comunidade internacional, forçando players como China, Europa e, claro, os Estados Unidos, a recalcular os custos de um isolamento mais profundo do Irã. É uma demonstração de que, encurralado, o país está disposto a transformar sua crise em um problema global.

O movimento de Qalibaf é uma aposta calculada de que o custo da disrupção do fornecimento de petróleo é alto demais para que o Ocidente o ignore. Resta saber se a cartada é um blefe para forçar a volta à mesa de negociações ou o prelúdio de uma confrontação com consequências imprevisíveis para a economia mundial.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney