A percepção de segurança entre as nações mais ricas do mundo mudou. Projeções de gastos militares para 2025 mostram um aumento expressivo no orçamento de defesa em 28 dos 33 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), um reflexo direto da instabilidade geopolítica global. A invasão da Ucrânia pela Rússia e a intensificação de conflitos no Oriente Médio são os principais vetores dessa transformação.
Segundo dados da OCDE, compilados em uma análise do Visual Capitalist, o movimento sinaliza um reordenamento de prioridades. A tese que emerge dos números é a de que a era do chamado “dividendo da paz”, período pós-Guerra Fria em que orçamentos de defesa encolheram, pode ter chegado ao fim. O foco agora é em prontidão e modernização militar, com implicações econômicas e estratégicas de longo prazo.
A geografia do medo
Dois focos de tensão explicam os maiores saltos. No topo da lista em gastos proporcionais ao PIB está Israel, que deve alocar 7,8% de sua economia para defesa em 2025, um aumento de quase três pontos percentuais em relação à sua já elevada média de 5% entre 2015 e 2022. O número reflete o custo de um conflito em múltiplas frentes na região.
Na Europa, a proximidade com a Rússia é o principal catalisador. A Polônia mais do que dobrou seu investimento, saltando de 2,1% para 4,5% do PIB, tornando-se o maior investidor em defesa dentro da OTAN em termos relativos. Letônia (3,6%) e Estônia (3,4%) seguem o mesmo caminho, superando metas da aliança militar. Até mesmo a Alemanha, com seu histórico de contenção militar, projeta um salto de 1,2% para 2,3% do PIB.
O dilema americano e os retardatários
Curiosamente, os Estados Unidos, que seguem sendo a maior potência militar do mundo em termos absolutos — com um orçamento de US$ 954 bilhões —, viram sua alocação como porcentagem do PIB diminuir ligeiramente, de 3,4% para 3,1%. O movimento reforça a pressão de Washington para que seus aliados europeus assumam uma parcela maior do custo da defesa coletiva, uma demanda que os números de 2025 mostram estar sendo atendida.
A tendência de alta, contudo, não é universal. Cinco países, incluindo Austrália e Turquia, registraram uma leve queda na proporção dos gastos. Na outra ponta do espectro, nações geograficamente distantes dos principais conflitos, como México (0,7%) e Luxemburgo (0,9%), permanecem com os menores investimentos, sendo os únicos abaixo da marca de 1% do PIB.
O mapa dos orçamentos militares de 2025 desenha um mundo que precifica o risco de forma desigual. A realocação de capital para o setor de defesa levanta questões sobre o custo de oportunidade em outras áreas, como tecnologia, saúde e transição energética. Os números indicam uma aposta crescente no chamado "hard power", uma tendência cujas consequências econômicas e sociais apenas começam a se desenrolar.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Visual Capitalist





