O Itaú tem redefinido sua atuação no segmento de micro e pequenos empreendedores ao incorporar a inteligência artificial generativa como pilar central de sua estratégia de relacionamento. Segundo reportagem da TI Inside, a instituição financeira identificou que o modelo de atendimento tradicional, baseado em gerentes humanos e agências físicas, não era economicamente sustentável para atender a base da pirâmide empresarial brasileira com a profundidade necessária.
A mudança de paradigma, consolidada a partir de 2023, permitiu que o banco criasse uma estrutura altamente escalável. O objetivo central não é apenas a automação de tarefas, mas a viabilização de um serviço de consultoria financeira que antes ficava restrito a clientes de maior porte, permitindo que microempreendedores recebam orientações precisas sobre gestão de fluxo de caixa e precificação.
A IA como viabilizador estratégico
Para o banco, a inteligência artificial deixou de ser uma inovação periférica para se tornar uma necessidade operacional. A tecnologia permite que a instituição ofereça suporte contínuo e personalizado, aprendendo com as interações dos usuários para retroalimentar o próprio produto. Esse mecanismo de aprendizado contínuo transforma a plataforma em uma ferramenta consultiva que vai além da simples resposta a dúvidas.
A barreira que impedia o crescimento no setor era o custo de servir. Com a implementação de modelos generativos, o Itaú conseguiu reduzir drasticamente o atrito operacional, permitindo que o atendimento chegasse a regiões remotas do país. A tecnologia atua como um equalizador, garantindo que um empreendedor em uma área distante tenha acesso ao mesmo nível de orientação que um cliente em um grande centro urbano.
Desafios culturais e engajamento
Embora a tecnologia tenha superado os obstáculos técnicos, o banco enfrenta agora uma transição cultural. Atualmente, cerca de 60% dos clientes mais ativos do Itaú Empresas utilizam regularmente os recursos de IA. O desafio, segundo o executivo Marcos Paulo Coelho, é converter a parcela de empreendedores que ainda mantém jornadas tradicionais, demonstrando os benefícios práticos da ferramenta no cotidiano.
A adesão dos clientes tem superado as expectativas internas, sugerindo que, uma vez superada a curva inicial de aprendizado, a IA passa a ser incorporada de forma natural à rotina do negócio. A meta é simplificar jornadas complexas e reduzir a necessidade de atendimentos convencionais, focando em uma experiência totalmente digital e eficiente.
Capacitação e educação financeira
O Itaú também busca endereçar a dificuldade recorrente dos empreendedores em separar finanças pessoais de empresariais. Por meio do programa Negócio em dIA, desenvolvido com Google, Sebrae e Tera, o banco pretende capacitar até um milhão de brasileiros em temas como marketing, gestão e finanças utilizando IA.
A iniciativa visa transformar dados dispersos em informações acionáveis. Em vez de apenas oferecer crédito, o banco busca fornecer a inteligência necessária para que o empreendedor tome decisões melhores, organizando planilhas e analisando custos de forma automatizada, o que dialoga com a demanda do mercado por maior digitalização.
Perspectivas e o futuro da gestão
O cenário de rápida familiarização com ferramentas digitais, apontado por estudos do Sebrae e da FGV, indica que o apetite por inovação nos pequenos negócios é alto. No entanto, o desafio de converter esse interesse em aplicações concretas de gestão permanece como um ponto de atenção para todo o ecossistema de fintechs.
O que se observa é uma corrida para oferecer não apenas serviços bancários, mas ecossistemas completos de gestão. A capacidade do banco em integrar essa inteligência ao dia a dia do microempreendedor ditará o sucesso da estratégia de longo prazo, enquanto o mercado aguarda para ver como essa automação impactará a retenção de clientes e a inadimplência no segmento.
A tecnologia está, sem dúvida, mudando a forma como o crédito e a consultoria são entregues, mas o sucesso final dependerá da simplicidade da interface e da utilidade percebida pelo usuário. A evolução dessa dinâmica será um indicador crucial para o futuro do setor financeiro no Brasil.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · TIInside





