O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deu sinal verde para a J&F, holding dos irmãos Batista, aprofundar sua atuação no setor de energia. O órgão aprovou, sem restrições, o arrendamento do Terminal Gás Sul (TGS), uma infraestrutura de regaseificação de Gás Natural Liquefeito (GNL) localizada na Baía da Babitonga, em Santa Catarina. O ativo pertence e era operado pela americana NFE Power Latam.
Para a J&F, que já atua na importação e comercialização de gás, o movimento representa um passo estratégico de verticalização. Para a NFE, um grupo global de infraestrutura energética, a operação se alinha a um processo de reorganização de seus negócios no país, onde ainda opera outro terminal de GNL, em Barcarena (PA).
Verticalização sem sobreposição
A aprovação célere e sem restrições pelo Cade tem uma lógica clara: a ausência de sobreposição entre as atividades das empresas. O despacho do órgão antitruste ressalta que o TGS é um ativo de infraestrutura — um terminal marítimo para navios FSRU (unidades flutuantes de armazenamento e regaseificação) — e não atua na produção, exploração ou comercialização direta do gás.
A J&F, por sua vez, atua na ponta comercial, importando gás da Bolívia e Argentina. Ao arrendar o terminal, a holding não entra em um novo mercado para competir, mas sim integra uma nova etapa da cadeia de valor, ganhando controle sobre um ponto logístico crucial. A leitura é que o grupo busca maior eficiência e margens, controlando o fluxo do insumo desde a porta de entrada no país até a entrega a distribuidoras e outros clientes.
O novo mapa do gás
O negócio é um retrato da reconfiguração do mercado brasileiro de gás natural, que se abre para novos atores privados em um espaço antes dominado pela Petrobras. A transação mostra um setor dinâmico, com empresas internacionais como a NFE realocando capital e grupos nacionais capitalizados, como a J&F, aproveitando oportunidades para expandir sua pegada.
O terminal em Santa Catarina, com seus quase 33 quilômetros de dutos conectados à malha da Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG), é um ativo estratégico. Para a J&F, controlar essa infraestrutura significa não apenas otimizar sua operação existente, mas também se posicionar de forma mais robusta na transição energética, onde o gás natural é visto como um combustível-ponte.
O movimento da J&F é um sinal de que os grandes conglomerados brasileiros estão atentos e dispostos a investir pesado na nova configuração do setor de energia. A questão que fica é como a holding irá alavancar esse novo ativo para expandir sua influência em um mercado cada vez mais competitivo e complexo.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





