A formação de planetas é uma corrida contra o relógio. Essa é a principal conclusão de um novo estudo que, utilizando o Telescópio Espacial James Webb (JWST), analisou 72 estrelas jovens, semelhantes ao nosso Sol em seus primórdios. A pesquisa, publicada no The Astronomical Journal, oferece o olhar mais detalhado até hoje sobre como o material que dá origem aos planetas se dispersa no espaço.

Para um planeta se formar, ele precisa de matéria-prima — o gás e a poeira que compõem o chamado disco protoplanetário ao redor de uma estrela recém-nascida. O problema é que esse material não fica ali para sempre. A nova pesquisa revela que os mecanismos que esvaziam esse disco mudam com o tempo, criando uma janela de oportunidade finita, especialmente para os planetas maiores.

Do vento à luz: os dois atos da dispersão

Ao rastrear o hidrogênio molecular com o instrumento MIRI do JWST, os astrônomos mapearam um processo de dispersão em dois atos. No início da vida de um sistema estelar, a perda de material é dominada por jatos e ventos poderosos, impulsionados pelos campos magnéticos que atravessam o disco protoplanetário. Essa fase inicial é violenta e varre grandes quantidades de gás e poeira para longe da estrela.

Com o tempo, o disco se torna mais rarefeito. A luz da estrela-mãe, antes bloqueada, consegue penetrar mais fundo. Nesse segundo ato, um processo chamado fotoevaporação assume o protagonismo: a radiação de alta energia da estrela ioniza o gás remanescente e o “sopra” para o espaço. A descoberta crucial é que não há um único vilão, mas uma sucessão de forças que esgotam a matéria-prima planetária.

A janela de oportunidade para Júpiter

Essa dinâmica tem uma implicação direta para a arquitetura dos sistemas planetários. Mundos rochosos como a Terra exigem menos material. Já os gigantes gasosos, como Júpiter e Saturno, precisam acumular suas vastas atmosferas enquanto o disco ainda é denso e rico em gás. Se eles não se formarem a tempo, antes que os ventos magnéticos e a fotoevaporação limpem o terreno, a oportunidade se fecha para sempre.

Como resumiu Uma Gorti, pesquisadora do Instituto SETI e coautora do estudo, a dispersão do disco “estabelece um relógio fundamental para a formação de planetas”. Entender esse cronômetro ajuda a explicar não apenas a diversidade de sistemas planetários encontrados pela galáxia, mas também as condições específicas que permitiram, há 4,6 bilhões de anos, que o nosso Sistema Solar tomasse a forma que conhecemos hoje.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Space.com