A JBS e a Âmbar Energia anunciaram um investimento de R$ 65 milhões voltado à expansão da produção de biometano a partir de resíduos gerados pelas plantas da Friboi. O projeto, que integra a estratégia de sustentabilidade da holding J&F, visa elevar a capacidade produtiva das unidades de Campo Grande (MS), Lins (SP) e Andradina (SP) para 40 mil metros cúbicos diários até julho de 2028.

Segundo informações das empresas, o movimento busca substituir o consumo de combustíveis fósseis, como o diesel e o gás natural, tanto na frota logística da JBS quanto nos processos térmicos industriais. A iniciativa representa uma mudança estrutural na forma como a companhia lida com os subprodutos de sua operação frigorífica, transformando passivos ambientais em fontes de energia renovável.

A estratégia de economia circular

O biometano surge como uma peça central na agenda de descarbonização de indústrias intensivas em energia. Ao processar resíduos orgânicos em biodigestores, a JBS consegue capturar o metano que seria emitido na atmosfera e convertê-lo em um insumo energético de alto valor. Esse processo não apenas mitiga o impacto ambiental das plantas, mas também reduz a dependência de combustíveis externos.

A tecnologia de purificação, compressão e armazenamento que está sendo implementada é o que viabiliza a transição do biogás — usado localmente para geração elétrica — para o biometano, que possui características químicas similares ao gás natural e pode ser transportado ou utilizado em veículos pesados. A integração industrial entre a Friboi e a Âmbar Energia cria uma sinergia operacional que otimiza o uso desses resíduos em larga escala.

Mecanismos de transição energética

O plano de expansão está dividido em fases, com a meta de atingir 20 mil m³/dia já em fevereiro de 2027. O investimento de R$ 65 milhões abrange desde a aquisição de equipamentos de purificação até a infraestrutura necessária para a distribuição interna do combustível. O incentivo econômico aqui é claro: a redução dos custos operacionais a longo prazo, protegendo a companhia da volatilidade dos preços de combustíveis fósseis.

Além do ganho financeiro, a iniciativa atende a uma demanda crescente por práticas de ESG (Ambiental, Social e Governança) no setor de proteína animal. A conversão de efluentes em energia renovável posiciona a JBS como um player relevante na transição energética brasileira, utilizando sua escala para viabilizar projetos que, em empresas menores, seriam de difícil implementação técnica e financeira.

Implicações para o ecossistema industrial

A descarbonização da frota e dos processos industriais é um desafio para o agronegócio brasileiro. A JBS, ao consolidar essa plataforma de biometano, estabelece um precedente para outras empresas do setor que buscam reduzir suas emissões de Escopo 1 e 2. Reguladores e investidores observam de perto como essas iniciativas de economia circular podem ser escaladas para outros segmentos da economia nacional.

Para a concorrência, o movimento da J&F sinaliza que o biometano deixou de ser uma solução experimental para se tornar um ativo estratégico. A viabilidade de projetos similares dependerá da capacidade de outras companhias em replicar a integração entre a geração de resíduos e a infraestrutura de processamento energético.

Perspectivas e desafios futuros

Embora o projeto esteja focado nas unidades da Friboi, a JBS indicou que estuda expandir o modelo para outras operações da holding J&F. A incerteza reside na complexidade técnica de replicar o sistema em plantas com diferentes perfis de resíduos orgânicos e na necessidade de manter a eficiência logística em escala nacional.

Acompanhar a execução deste cronograma até 2028 será fundamental para entender a real capacidade de substituição de combustíveis fósseis pela companhia. O mercado aguarda os resultados operacionais das próximas fases para avaliar se o biometano se tornará, de fato, a espinha dorsal da matriz energética da JBS.

O sucesso desta iniciativa pode redefinir o papel do agronegócio na transição energética, provando que a gestão eficiente de resíduos pode ser tão lucrativa quanto a própria atividade industrial. A transição para uma operação de baixo carbono, no entanto, permanece um desafio contínuo que exigirá investimentos constantes em inovação e infraestrutura.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times