Jerez de la Frontera, berço do vinho fortificado que conquistou o mundo, quer um novo título em sua galeria: o de Cidade Espanhola do Vinho 2027. A candidatura, promovida pela Associação Espanhola de Cidades do Vinho (Acevin), recebeu um respaldo decisivo da Rota do Vinho e do Brandy do Marco de Jerez, unificando os principais atores do ecossistema local em torno de um objetivo comum.
O movimento é mais do que uma busca por reconhecimento. Trata-se de uma estratégia para consolidar a região como um destino de enoturismo de primeira linha, utilizando sua marca de renome global como porta de entrada. A leitura aqui é que Jerez busca transformar seu capital histórico e cultural — o xerez — em uma plataforma para o desenvolvimento econômico sustentável, centrado na experiência turística.
Uma marca global como motor local
A candidatura de Jerez não se apoia apenas em seu nome, mas na força de todo um território. A proposta, segundo reportagem da Forbes España, apresenta a cidade como uma "cidade-locomotiva" para o Marco de Jerez, uma região unida por história, economia e uma cultura vitivinícola comum. Elementos como o solo de albariza, os sistemas de criação de vinho e a influência atlântica compõem uma identidade que a candidatura busca projetar nacional e internacionalmente.
César Saldaña, presidente da Rota do Vinho e do Brandy, argumenta que a cidade chega com "argumentos muito sólidos", incluindo um "patrimônio vitivinícola excepcional" e uma longa trajetória de cooperação entre empresas e o poder público. O momento também é simbólico: em 2026, a Rota celebra 20 anos, marcando duas décadas de trabalho para posicionar o enoturismo como uma atividade estratégica para a Andaluzia.
Do copo à experiência completa
O principal ativo da candidatura é a dimensão internacional da marca Jerez. A notoriedade do nome é vista como uma vantagem competitiva para atrair um público que, uma vez no território, pode ser apresentado à diversidade de toda a região. O objetivo, como destacou Saldaña, é que "quem se aproxime de Jerez descubra a riqueza de todo o Marco". É uma estratégia para aprofundar o engajamento do visitante, indo além da simples degustação.
Internamente, a candidatura também serve como um catalisador para reforçar o orgulho e a consciência local sobre a importância de proteger a paisagem, os ofícios e o patrimônio material e imaterial associado ao vinho. A ambição não é apenas promocional. Como aponta Saldaña, "os reconhecimentos têm sentido quando servem para gerar futuro", indicando que o objetivo final é garantir a competitividade e a sustentabilidade do ecossistema a longo prazo.
A disputa pelo título de 2027 é, portanto, um teste para o modelo de Jerez. A candidatura representa uma aposta de que é possível alavancar um patrimônio secular não apenas para vender garrafas, mas para construir uma economia de experiências robusta e sustentável, que valorize tanto o produto quanto sua origem.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





