Jim Farley, CEO da Ford, admitiu publicamente que a montadora americana tem enfrentado uma luta contínua para manter a qualidade como prioridade. Em declarações recentes, Farley afirmou ter testemunhado a Ford "cair dentro e fora do amor com qualidade quatro vezes" ao longo de sua história. Esta confissão, feita durante o Automotive News Congress, sublinha um desafio recorrente na cultura da empresa, que oscila entre o compromisso com a excelência e a negligência, muitas vezes impulsionada por pressões de mercado e mudanças de gestão.
A montanha-russa da qualidade na Ford
A jornada da Ford com a qualidade remonta aos anos 1980, quando a empresa lançou a icônica campanha "Quality is Job 1". Naquela época, a montadora buscava se diferenciar dos concorrentes japoneses e combater a percepção de que seus veículos eram sinônimo de "Fix or Repair Daily" (Consertar ou Reparar Diariamente). A iniciativa, liderada por executivos como Philip Caldwell e Donald Petersen, marcou um período de forte foco na produção de veículos com menos defeitos. No entanto, o slogan, que permaneceu por 17 anos, eventualmente perdeu sua força, e com ele, a percepção de que a qualidade era a principal prioridade.
Ciclos de altos e baixos
Farley, que ingressou na Ford em 2007 após uma passagem pela Toyota, sugere que esses ciclos de atenção e desatenção à qualidade se repetiram. Embora não detalhe cada uma das quatro ocasiões, é provável que a era de Jim Hackett, antecessor de Farley, tenha sido um desses períodos de afastamento, culminando em recalls significativos e problemas persistentes que exigiram uma nova reorientação para a excelência sob a gestão atual. A admissão de Farley indica que a recuperação da confiança do consumidor em relação à qualidade da Ford é um processo árduo e contínuo, que exige mais do que apenas declarações de intenção.
Avanços recentes e ambições futuras
Apesar dos desafios históricos, a Ford tem demonstrado sinais de progresso. Recentemente, a montadora superou a Lexus em pesquisas de qualidade inicial da JD Power, alcançando o terceiro lugar, atrás apenas de Porsche e Genesis. Contudo, Farley expressou que não há complacência dentro da empresa. Ele destacou que os dinamômetros da Ford operam 24 horas por dia, testando rigorosamente os trens de força para garantir a confiabilidade dos futuros lançamentos. Essa dedicação, segundo ele, remete à cultura de excelência que ele vivenciou em sua passagem pela Toyota, sinalizando uma ambição de não decepcionar o cliente.
Reconstruindo a cultura e os processos
A estratégia de Farley para reverter a tendência de inconsistência na qualidade envolve uma profunda reformulação da cultura organizacional. Isso inclui a contratação de novos talentos, a adoção de uma mentalidade de manufatura enxuta e uma obsessão pelos detalhes. A busca por excelência também passa por revisitar práticas que foram consideradas dispensáveis, como a contratação de pessoal especializado que antes se pensava que poderia ser substituído por inteligência artificial. A Ford Fathom, um novo projeto da montadora, representa mais uma oportunidade para demonstrar sua capacidade de executar grandes iniciativas sem falhas.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · The Autopian





