Uma década atrás, o industrial holandês Joop van Caldenborgh abriu as portas do Museu Voorlinden, em Wassenaar, nos Países Baixos. Para celebrar o aniversário da instituição, Van Caldenborgh compartilhou com a ARTnews sua trajetória como colecionador, a história do museu e seus planos para o futuro.

A Jornada de um Colecionador

O colecionismo de Van Caldenborgh começou na infância, com selos e embalagens de açúcar, um hábito que se transformou em paixão pela arte. Aos 16 anos, comprou sua primeira obra com dinheiro de entregas de jornal, mas só se considerou um verdadeiro colecionador anos depois, quando sua esposa o alertou sobre a quantidade de arte que já não cabia mais em casa. "Eu realizei que tinha essa doença de ser um colecionador: alguém que compra embora não tenha mais onde pendurar a arte", relatou.

A criação do Museu Voorlinden não era um plano inicial. A ideia surgiu em 2010, quando seu filho sugeriu uma exposição na Kunsthal Rotterdam. A mostra "I promise to love you", baseada na coleção Caldic, foi um sucesso e despertou o desejo por um espaço próprio. Em 2011, adquiriram a propriedade Voorlinden, um terreno de aproximadamente 40 hectares com uma mansão antiga. Cinco anos foram necessários para obter as permissões governamentais e construir o museu, situado em uma área natural próxima ao mar.

Pilares da Coleção Voorlinden

Van Caldenborgh descreve sua coleção como um reflexo de devoção e emoção, comparando a escolha das obras à preferência por um filho. Inicialmente, ele se dedicou a obras abstratas do movimento Zero, da década de 1960, atraído pela precisão matemática e pela incompreensão geral da época. "Eu tenho uma mente um pouco matemática, então gostei desse tipo de arte – e ninguém a entendia. Todos diziam que eu era louco", comentou.

Entre as peças permanentes e icônicas do museu, destacam-se o James Turrell Skyspace, "Couple under an Umbrella" (2013) de Ron Mueck, uma grande obra de Richard Serra criada especialmente para o local, e a instalação "Swimming Pool" de Leandro Erlich, frequentemente fotografada nas redes sociais. Para o colecionador, um troféu não é definido pelo preço, mas pela força da conexão pessoal com a obra, que deve mover emocionalmente, independentemente da beleza ou da fama do artista. "A verdadeira questão é simples: eu gosto disso?", questionou.

Dez Anos de Abertura ao Público

O caráter de museu voltado ao público, algo que Van Caldenborgh não antecipou, foi gerenciado com sucesso por sua diretora. O que mais o orgulha é observar a fila de visitantes na entrada pela manhã e ver as pessoas desfrutando da experiência. "O fato de terem visitado me deixa feliz", afirmou.

O Museu Voorlinden se diferencia pela integração harmoniosa entre arte, arquitetura e natureza. A paisagem circundante, a arquitetura do museu e a ausência de elementos que distraiam o visitante criam um diálogo único entre o parque e o acervo. Recentemente, a coleção foi enriquecida com a instalação "Resonance" (2025) de Kader Attia, com gaiolas suspensas e sinos, que explora o paradoxo da conexão e isolamento na vida contemporânea, e a pintura "Oceanic Underwater" (2025) de Howardena Pindell, uma obra imersiva composta por milhares de pontos.

Olhando para o Futuro

Para celebrar os dez anos, o museu apresenta "Celebrating the Icons of Art", com obras de Monet, Miró, Bacon, Bourgeois, Hockney, Mueck, Buren e Hirst, emprestadas de instituições globais. A exposição é descrita como a mais experimental e ambiciosa da década. Nos próximos anos, o Voorlinden planeja exposições de Olafur Eliasson e Nicolas Party, com a esperança de que o próprio Van Caldenborgh continue a acompanhar o desenvolvimento do museu.

Com reportagem de Brazil Valley

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