Josh Kushner, o irmão mais novo e mais discreto do clã que se tornou uma força política em Washington, acaba de fazer sua jogada mais vistosa. Em parceria com Bob Iger, o lendário ex-CEO da Disney, Kushner fechou a aquisição do Los Angeles Lakers por US$ 12,5 bilhões, o valor mais alto já pago por uma equipe esportiva. A transação, segundo reportagem da revista Fortune, foi concluída em apenas três dias.

O movimento surpreende pela velocidade e pelo timing. A compra acontece logo após uma tentativa frustrada de Kushner de adquirir uma participação nos lucros futuros da Copa do Mundo, um plano controverso orquestrado pelo presidente da FIFA, Gianni Infantino. A aquisição do Lakers, uma das franquias mais icônicas do mundo, sinaliza a escala da ambição de Kushner e seu esforço contínuo para construir um império com identidade própria, longe da sombra da família.

O arquiteto de um império paralelo

Enquanto seu irmão Jared navegava pelos corredores do poder, Josh, de 41 anos, construía uma fortuna estimada em US$ 5 bilhões. Ele fundou a firma de venture capital Thrive Capital em 2009, que se destacou com investimentos precoces em gigantes como OpenAI e SpaceX, e a seguradora de saúde Oscar Health em 2012. Sua proximidade com figuras como Sam Altman, da OpenAI, o posiciona no epicentro da nova economia de tecnologia.

A parceria com Iger, de 75 anos, é a união de dois mundos: a nova geração do capital de risco com a velha guarda do entretenimento e mídia. O relacionamento, que começou como uma mentoria, evoluiu para uma aliança estratégica. Iger chegou a atuar como sócio de risco na Thrive, conectando Kushner ao establishment corporativo enquanto aprendia sobre o ecossistema de startups. Juntos, eles formam uma dupla com capital e conexões para operar em uma escala que poucos conseguem.

Distância calculada

Em Los Angeles, um reduto progressista, o sobrenome Kushner inevitavelmente causa ruído. Contudo, Josh tem se esforçado para se diferenciar publicamente. Ele e sua esposa, a supermodelo Karlie Kloss, afirmam não compartilhar das visões conservadoras do pai, Charles, e do irmão, Jared. Com um histórico de doações para candidatos progressistas e declarações públicas de alinhamento com "valores liberais", Josh projeta uma identidade política distinta.

O interesse no esporte não é novo nem meramente oportunista. Kushner já teve participações minoritárias no Memphis Grizzlies e no Miami Heat. Antes de mirarem nos Lakers, ele e Iger já perseguiam uma franquia de expansão da NBA em Las Vegas. A decisão de pivotar para a equipe de Los Angeles, ao saberem que o proprietário Mark Walter poderia vender, demonstra agilidade e uma tese de investimento clara no valor de ativos esportivos premium.

A velocidade do acordo — "fechado em três dias", nas palavras de Iger — é emblemática. Revela não apenas o poder de fogo financeiro, mas uma mentalidade de venture capital aplicada à aquisição de ativos culturais. Para o Lakers, a questão não é apenas quem são os novos donos, mas o que sua chegada representa: a consolidação de uma nova classe de proprietários, forjada não mais no mercado imobiliário, mas na intersecção entre tecnologia, finanças e mídia.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fortune