A gestora Jupiter Asset Management (Jupiter AM) tem direcionado seus investimentos para o setor bancário europeu, buscando ativamente diversificar seu portfólio em um cenário dominado pela euforia em torno da inteligência artificial e outras empresas de tecnologia. Amadeo Alentorn, gestor de investimentos da equipe de renda variável sistemática da Jupiter AM, destacou que os últimos 12 meses apresentaram "oportunidades fortíssimas" no setor financeiro. Segundo Alentorn, os bancos europeus estiveram subavaliados por "muitos anos", o que permitiu à gestora obter retornos expressivos de "30% a 40%" em companhias com "balanços saneados e um sentimento de mercado que apoiou esses fundamentos".
O contraponto à febre tecnológica
A estratégia da Jupiter AM surge como um contraponto à narrativa dominante no mercado financeiro, que tem sido amplamente impulsionada pelo otimismo em torno da inteligência artificial. Alentorn alertou que os dois principais riscos na renda variável atualmente são as "valorizações elevadas" e a "concentração muito alta em empresas muito grandes", características marcantes do setor tecnológico. Nesse contexto, a gestora defende a gestão ativa como ferramenta essencial para navegar a incerteza e a volatilidade inerentes aos mercados atuais. Embora a Jupiter AM também tenha se beneficiado do boom da IA, especialmente em semicondutores e centros de dados, e no setor de saúde, a aposta em bancos europeus sinaliza uma busca por um equilíbrio mais robusto e menos dependente de um único setor em alta.
Um olhar para o setor financeiro
A gestora identificou que a desvalorização prolongada de bancos europeus, combinada com a recuperação de seus balanços, criou um ambiente propício para investimentos. Entidades como Banco Santander e Société Générale foram citadas como exemplos de empresas que se beneficiaram dessa abordagem. A diversificação para o setor bancário não apenas reduz a exposição a um mercado de tecnologia potencialmente superaquecido, mas também capitaliza sobre a recuperação e o potencial de crescimento de instituições financeiras sólidas. A busca por empresas com fundamentos fortes e valuations atrativos tem sido o motor dessa realocação de capital, afastando-se da concentração em poucas gigantes tecnológicas.
Gestão ativa e novas frentes
A Jupiter AM também demonstrou flexibilidade em sua abordagem. Após uma sobreponderação no setor de software há um ano, a gestora reduziu sua exposição à medida que os riscos ligados à IA se tornavam mais evidentes. A recente correção em algumas dessas empresas abriu novas oportunidades, levando a gestora a "voltar a entrar em algumas posições de software". No âmbito da renda fixa, a gestora realocou investimentos para a América e América Latina, em resposta ao aumento global das rentabilidades dos títulos governamentais. O lançamento do fundo ‘Jupiter Global Monthly Income Bond Fund’ reforça essa visão, com foco em crédito corporativo global e uma estratégia de duração moderada para mitigar riscos de taxas de juros.
Perguntas em aberto e o futuro da alocação
A decisão da Jupiter AM de apostar em bancos europeus levanta questões sobre a sustentabilidade da euforia tecnológica e a capacidade da gestão ativa de identificar valor em setores tradicionalmente menos badalados. Enquanto o mercado continua a precificar o potencial da IA, a gestora demonstra que um portfólio diversificado, com um olhar criterioso para valuations e fundamentos, pode oferecer retornos consistentes e mitigar riscos. Resta observar como os bancos europeus responderão a essa maior atenção e se a tendência de diversificação se consolidará em detrimento da concentração em tecnologia. A gestão ativa, mais uma vez, se mostra como uma ferramenta valiosa para navegar as complexidades do mercado financeiro global.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





