O terceiro trimestre de 2026 aponta para um desempenho relativamente favorável para as empresas do segmento de shoppings centers. Contudo, a expectativa é de um crescimento mais moderado em vendas nas mesmas lojas (SSS) e nos aluguéis das mesmas lojas (SSR), segundo análise do Itaú BBA. Esse cenário reflete um menor fluxo de visitantes em julho, parcialmente impactado pela Copa do Mundo de 2026, e uma inflação mais baixa medida pelo IGP-DI, fatores que devem limitar a expansão da receita total do setor. Apesar desses desafios, o fluxo de visitantes mostrou recuperação ao longo do trimestre.
Contexto: A Resiliência do Setor em Meio a Juros Elevados
O setor de shoppings, historicamente sensível ao ciclo econômico e ao poder de compra do consumidor, tem demonstrado uma notável resiliência. A performance das ações das empresas do setor, que subiram entre 35% e 40% desde meados de agosto, superando os 20% do Ibovespa, é um indicativo dessa confiança. Analistas do Itaú BBA atribuem essa alta a uma visão mais otimista do cenário macroeconômico brasileiro e, principalmente, ao ciclo de queda nas taxas de juros. Essa percepção de melhora, mesmo que gradual, tem impulsionado o apetite por ativos ligados ao varejo físico.
Análise: Multiplan em Destaque, Alerta de Juros Persiste
Para o período, analistas destacam a expansão do lucro líquido da Multiplan (MULT3) e da Allos (ALOS3). Ganho extraordinários com a venda de imóveis, como no caso da Multiplan e do Iguatemi (IGTI11), também devem impulsionar os lucros. O Goldman Sachs reforça a Multiplan como principal escolha do setor, apontando espaço para reprecificação positiva com base em múltiplos históricos de Fundos de Operações (FFO). Estimativas da FactSet indicam que os múltiplos de FFO dos próximos 12 meses da Multiplan e da Allos aumentaram significativamente desde julho de 2026. Atualmente, a Multiplan negocia com um desconto em relação à sua média histórica, enquanto a Allos está em linha. A projeção de FFO para 2027 coloca as três empresas em múltiplos próximos, com um diferencial de retorno projetado em relação às taxas reais de longo prazo próximo dos menores níveis históricos.
Implicações: O Impacto da Política Monetária no Varejo
A forte alta das ações do setor de shoppings é justificada, em parte, pela queda nas taxas de juros nominais e reais desde agosto. O Goldman Sachs, ao elevar os preços-alvos em cerca de 20%, reflete não apenas a melhora macroeconômica, mas também operações de fusões e aquisições e tendências setoriais. No entanto, o Itaú BBA ressalta que o espaço para revisões significativas nas estimativas de lucro das companhias parece limitado. Isso sugere que, embora o ambiente de taxas de juros em queda favoreça o desempenho das ações, elas se tornam alternativas de investimento mais atraentes em cenários de crescimento econômico desafiador, mas menos promissoras em um ambiente de maior apetite por risco.
Perguntas em Aberto: Cenário Econômico e Consumo
O cenário para o setor de shoppings permanece intrinsecamente ligado à trajetória da política monetária e à recuperação sustentada do poder de compra do consumidor. Embora a queda dos juros seja um vento favorável, a inflação mais baixa e a dinâmica do fluxo de visitantes em meses específicos como julho ainda demandam atenção. A capacidade das empresas de continuar gerando valor através da venda de ativos e da otimização de seus portfólios será crucial para sustentar o crescimento. O mercado observará se a recuperação observada no final do trimestre se manterá nos próximos meses, em um ambiente ainda marcado por incertezas.
A venda de uma participação no ParkShoppingBarigüi pela Multiplan, por R$ 250 milhões, e a captação de R$ 300 milhões em dívida, por exemplo, reforçam a estratégia de otimização de capital. Para o Iguatemi, ajustes em custos e a sazonalidade devem manter o Ebitda e o FFO praticamente estáveis. Já a Allos projeta crescimento em receita de aluguéis, mas com Ebitda e FFO apresentando quedas trimestrais e anuais, respectivamente. Esses movimentos indicam estratégias distintas entre os players, com a Multiplan se posicionando como a preferida dos analistas para o período.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





