A K2 Space, uma startup de infraestrutura espacial, anunciou uma rodada de captação Série D de US$ 500 milhões, elevando sua avaliação para US$ 6,8 bilhões. O aporte, liderado por Kleiner Perkins e ICONIQ, eleva o financiamento total da companhia para mais de US$ 1 bilhão desde sua fundação, em 2022.
O movimento ocorre poucos meses após uma Série C de US$ 250 milhões e com apenas um satélite de validação em órbita. A tese de investimento, segundo reportagem do site Payload, não se baseia em feitos passados, mas em uma carteira de contratos que já ultrapassa US$ 1 bilhão e em uma visão ambiciosa para o futuro da computação.
Receita antes da órbita
O valuation da K2 não é especulativo; é matemático. O CEO Karan Kunjur afirmou que a cifra se baseia em múltiplos da receita projetada para os próximos 12 meses. A empresa já garantiu contratos com gigantes como a operadora de satélites SES e a companhia de defesa Anduril, validando seu modelo de negócio antes mesmo de atingir a produção em escala.
Isso sinaliza uma mudança no setor de tecnologia espacial. A K2 não está reinventando o acesso ao espaço, mas industrializando o que acontece lá. A proposta é criar uma plataforma padronizada e escalável de satélites de alta potência, funcionando como uma fábrica capaz de atender tanto a demanda comercial quanto a de defesa, que exigem sistemas cada vez mais robustos e complexos.
A próxima nuvem é espacial
O novo capital será usado para escalar a capacidade produtiva da K2 para pelo menos 100 satélites por ano. Mais importante, porém, é o investimento no desenvolvimento de sistemas de altíssima potência, mirando o que Kunjur chama de “computação em órbita”. A ideia é transformar seus satélites na infraestrutura base para processamento de dados diretamente no espaço.
Para isso, a companhia planeja a missão Trinity em 2027, que lançará múltiplos satélites para demonstrar a confiabilidade e versatilidade da plataforma em diferentes órbitas. Se bem-sucedida, abrirá caminho para o lançamento de seu primeiro satélite de 100 kW em 2028, um marco para a tese de computação orbital.
A aposta de fundos como CapitalG e Lightspeed na K2 é um indicativo do próximo capítulo da corrida espacial. O foco se desloca do lançamento para a criação de uma infraestrutura computacional resiliente e soberana em órbita. A K2 quer ser para a economia espacial o que a AWS foi para a internet: a camada fundamental sobre a qual novas aplicações serão construídas.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Payload Space





