A Ministra do Clima do Reino Unido, Katie White, fez um apelo contundente para que a COP31, que ocorrerá em Antalya, na Turquia, responda com seriedade à ciência climática, descrita por ela como "realmente assustadora". Em entrevista ao Carbon Brief, White delineou as prioridades do Reino Unido para a cúpula, enfatizando a urgência em traduzir os alertas científicos em ações concretas e políticas eficazes.
White ressaltou que os eventos climáticos extremos deste verão, como ondas de calor e incêndios florestais, tornaram inegável que as mudanças climáticas "não são algo distante; é algo que estamos vivendo". A ministra afirmou que o Reino Unido se empenhará em "sustentar a ciência", utilizando os relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) como base para as discussões.
A Ciência Por Trás do Alerta
A ministra britânica enfatizou a gravidade dos recentes relatórios científicos, incluindo o aviso da ONU sobre o "overshoot" temporário de 1.5°C e os impactos devastadores de eventos extremos, como as mortes por calor na Europa e as inundações no Nepal. "A ciência, mais uma vez, é realmente assustadora", declarou White, sublinhando que o relatório de "overshoot" é "incrivelmente preocupante". Para ela, o principal desafio como política é "traduzir esse chamado em entrega real". A COP31, embora não seja uma "global stocktake" (avaliação global de cinco anos), ainda exige "progresso significativo". A prioridade, segundo White, é focar na ciência, na "agenda de ação" e nas "decisões políticas" que guiarão os próximos passos.
Prioridades e Mecanismos de Ação
White destacou a "eletrificação" como um pilar central da agenda de ação, uma prioridade já estabelecida pela presidência turca da COP31. "Eletrificar nossas casas, eletrificar nossos transportes" é fundamental, disse ela, lembrando que o Reino Unido já avançou na descarbonização de seu sistema elétrico. O objetivo é aumentar a demanda por energia limpa para reduzir emissões e, potencialmente, diminuir os custos de energia. Outras prioridades incluem o combate às emissões de metano e a redução do desmatamento, com o Reino Unido mantendo seu compromisso de investimento em programas como o TFFF (Tropical Forest Forever).
Implicações e o Posicionamento Britânico
A ministra defendeu a aprovação do campo de gás Jackdaw no Mar do Norte, afirmando que a decisão está "totalmente alinhada" com os orçamentos de carbono do país e que o Reino Unido continua a apoiar a "transição para longe dos combustíveis fósseis". Ela citou a crise de Hormuz como um catalisador para o aumento da adoção de energia solar, veículos elétricos e bombas de calor no Reino Unido. White também defendeu a abordagem do governo, que inclui um foco maior na acessibilidade, como uma "evolução natural" da política climática britânica. Ela reconheceu que o país tem desafios, como a necessidade de planos mais concretos para atingir a meta de 68% de redução de emissões até 2030, mas reiterou a flexibilidade permitida pela Lei do Clima para ajustes e correções de rota. A crise energética recente, segundo ela, impulsionou a busca por segurança energética, levando à consideração de fontes fósseis em alguns casos, mas também acelerou a adoção de soluções limpas.
Perguntas em Aberto e o Caminho a Seguir
White reafirmou o apoio do Reino Unido a um roteiro para a transição energética, algo que o país defendeu ativamente em copes anteriores. Ela também confirmou o desejo britânico de alinhar a publicação de novos relatórios do IPCC com o próximo "global stocktake" do Acordo de Paris, embora reconheça a necessidade de pragmatismo e inclusividade nas negociações. Em relação ao financiamento climático, a ministra mencionou um novo compromisso de £6 bilhões ao longo de três anos, complementado por outras fontes, e destacou a importância de mobilizar novas formas de financiamento, como o TFFF, para atender às crescentes necessidades globais. A abordagem do Reino Unido na COP31 será de "humildade para aprender com os outros", reconhecendo que nenhum país possui todas as respostas, mas mantendo a clareza sobre seus sucessos e honestidade sobre seus desafios.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Carbon Brief





