O Grupo Vellore, por meio de sua venture builder, a Vellore Ventures, está lançando uma nova aposta para o mercado B2B: a Keepay.app. A plataforma, desenvolvida em parceria com o centro de inovação recifense CESAR, que aportou R$ 1,5 milhão no projeto, nasce com a missão de modernizar a concessão de crédito entre fornecedores e varejistas.
A tese é atacar uma fricção histórica na cadeia de suprimentos: a dificuldade do varejista em obter crédito junto à indústria para abastecer seu estoque. A solução da Keepay é usar um ativo digital já existente — os recebíveis de cartão de crédito do lojista — como instrumento de análise, garantia e até mesmo pagamento, transformando uma promessa de faturamento futuro em poder de compra presente.
A infraestrutura como serviço para o crédito B2B
Na prática, o Keepay.app funciona como uma camada de infraestrutura tecnológica. Com a autorização do varejista, o fornecedor passa a ter visibilidade do fluxo de recebíveis, utilizando essa informação para embasar sua análise de risco. A decisão final de conceder o crédito, contudo, permanece com o fornecedor. A plataforma atua como o trilho que organiza a operação, garantindo rastreabilidade e conformidade.
O movimento se insere na crescente tendência de "embedded finance", mas com um foco específico na cadeia de valor B2B. Enquanto o mercado de capitais brasileiro há muito utiliza recebíveis por meio de estruturas como os FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios), a proposta aqui é mais operacional e pulverizada. Trata-se de digitalizar e simplificar uma relação de confiança que já existe, tornando-a mais eficiente e segura para ambas as partes, sem a necessidade de intermediação financeira complexa.
O ecossistema como campo de provas
Um dos diferenciais do projeto é seu modelo de concepção. Como uma iniciativa de venture building, a Keepay.app não foi desenvolvida no vácuo, mas validada dentro do ecossistema do próprio Grupo Vellore. Segundo a empresa, a solução foi testada e aperfeiçoada em contato direto com companhias que enfrentam diariamente os desafios do crédito B2B. Antes mesmo do lançamento público, mais de 15 grandes fornecedores, como a distribuidora Tambasa, já estariam utilizando a infraestrutura.
Essa validação prévia confere uma vantagem competitiva relevante, mitigando o risco de o produto não encontrar aderência no mercado. A arquitetura tecnológica, descrita como baseada em inteligência artificial e agnóstica a diferentes plataformas, reforça a estratégia de construir um negócio escalável e adaptável, preparado para evoluir com a mesma velocidade do setor de tecnologia.
O desafio da Keepay, agora, transcende a tecnologia. O sucesso dependerá da capacidade de promover uma mudança de comportamento tanto em fornecedores, que precisam confiar na ferramenta para suas análises, quanto em varejistas, que devem se sentir confortáveis em compartilhar seus dados de faturamento. A tração da plataforma será um termômetro importante sobre a profundidade que as finanças embarcadas podem de fato alcançar nas tradicionais relações comerciais do Brasil.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · TIInside





