No coração industrial dos Estados Unidos, uma antiga fundição de alumínio que empregava 600 pessoas está sendo transformada em um campus de data centers para a Anthropic, uma das principais desenvolvedoras de inteligência artificial. O projeto, liderado pela TeraWulf, uma empresa que pivota da mineração de bitcoins para a infraestrutura de IA, recebeu uma aprovação regulatória crucial para um acordo de fornecimento de energia de 15 anos. A escala é monumental: um investimento inicial de até US$ 4,5 bilhões da TeraWulf e uma demanda de energia que pode chegar a 482 megawatts — o suficiente para abastecer uma pequena cidade.

Este movimento, detalhado em reportagem do site Xataka, é um sintoma da nova economia da IA, onde o ativo mais valioso, depois dos chips, é a energia. A escolha do local não foi acidental. A antiga metalúrgica, desativada em 2022, já possuía a infraestrutura elétrica robusta — subestação e linhas de transmissão — necessária para uma operação de tamanha magnitude. É um caso de "upcycling" industrial: a TeraWulf está reaproveitando as artérias da economia do século 20 para alimentar os cérebros de silício do século 21.

O contrato social do megawatt

O projeto serve como um teste decisivo para a expansão da infraestrutura de IA. A Comissão de Serviços Públicos de Kentucky determinou que o acordo de energia oferece “proteções adequadas” para os consumidores existentes, uma preocupação central em um cenário onde a demanda voraz dos data centers ameaça inflar as contas de luz e desestabilizar a rede. Para a Anthropic, o acordo de 20 anos para alugar a capacidade computacional garante um recurso estratégico na corrida contra rivais como OpenAI e Google. Para a TeraWulf, representa uma receita contratada de cerca de US$ 19 bilhões.

A transição de alumínio para algoritmos em Kentucky é um microcosmo das negociações que definirão a próxima fase da revolução digital. A promessa de revitalização econômica e novos empregos em áreas industriais em declínio colide com a realidade de uma demanda energética sem precedentes. A aprovação em Kentucky é um passo, mas o caminho para ligar o campus à rede ainda depende de outras instâncias, mostrando que o futuro da IA será construído não apenas com código, mas com complexos acordos de infraestrutura e política energética.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Xataka