As luzes do Larrabee Studios, em Los Angeles, estão mais baixas que o habitual. Pelas paredes, ecoam décadas de história da música. Mas, por três noites em setembro, o silêncio é quebrado não por um refrão pop, mas pelo borbulhar de um champanhe Krug servido em taças. A proposta é radical: e se o sabor pudesse ser ouvido?

A iniciativa, batizada de “The Art of Blending Krug & Sound”, leva a antiga colaboração da maison com o universo musical a um novo patamar. Em vez de apenas harmonizar uma peça pronta com a bebida, a Krug convidou o produtor e dono do estúdio, Manny Marroquin, a criar uma composição do zero, em tempo real, baseada nas impressões dos convidados que degustam os rótulos da casa.

A sinestesia como método

O processo espelha o próprio método da Krug. Assim como a chef de caves Julie Cavil seleciona e combina centenas de vinhos para criar o assemblage final de uma Grande Cuvée, os produtores no estúdio — Scott Tibbs, Nick Rosen e Mike Bennett — coletam as sensações, memórias e descrições dos presentes. Cada gole de Les Créations de 2013 ou da Grande Cuvée 169ème Édition se torna uma nota em potencial.

É uma inversão da lógica de harmonização. O champanhe não acompanha a música; ele é a própria partitura. “A criatividade ganha vida através da troca”, afirma Marroquin, destacando que cada noite resultará em uma peça musical única e irreplicável, um reflexo direto do grupo presente e de suas percepções.

O diálogo entre paladar e som

Para Julie Cavil, a experiência aprofunda uma questão que a Krug explora há anos: como o som altera a percepção do sabor? “A música tem essa habilidade extraordinária de traduzir sensações e emoções para outra linguagem”, diz ela, segundo o material de divulgação. A diferença, aqui, é que o convidado deixa de ser um espectador passivo e se torna coautor da trilha sonora.

A colaboração transforma uma degustação, evento tipicamente focado no paladar e no olfato, em uma performance multissensorial. O estúdio, que já deu forma a discos de inúmeros artistas aclamados, vira um laboratório sinestésico onde a subjetividade do gosto de cada um é o material bruto para a criação artística.

Ao final da noite, com ingressos a US$ 474, o que os convidados levam não é apenas a memória de um jantar harmonizado. Levam a lembrança de uma música que existiu por um instante, nascida do sabor de um champanhe e da partilha de sensações. Uma composição efêmera, como as próprias borbulhas na taça.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Cool Hunting