A ascensão meteórica do personagem Labubu, criado pela varejista chinesa Pop Mart, redefiniu o mercado de colecionáveis em 2025. Com olhos grandes, dentes afiados e uma estética peluda inspirada no folclore nórdico, a figura tornou-se onipresente em acessórios e redes sociais. Segundo reportagem da Fast Company, o sucesso do personagem foi o pilar central para que a empresa atingisse US$ 5,1 bilhões em receita no ano passado, um salto anual de 184%.

O impacto financeiro da linha The Monsters, à qual Labubu pertence, foi de US$ 2,1 bilhões globalmente. A América do Norte emergiu como o principal mercado de expansão, impulsionada pela abertura de 22 lojas em apenas seis meses e pela viralização orgânica entre colecionadores. O movimento transformou o brinquedo em um ativo cultural que gerou uma economia própria de customização e revenda.

A mecânica do desejo e o varejo

A estratégia da Pop Mart para consolidar o Labubu baseou-se na escassez programada e na expansão de pontos de contato físico. Emily Brough, chefe de licenciamento de PI da empresa nas Américas, destaca que o lançamento da linha Big Into Energy, em abril de 2025, serviu como ponto de inflexão. A demanda superou consistentemente a oferta inicial, criando um ambiente onde o produto era visto como um troféu de status entre os entusiastas.

A dinâmica de colecionismo foi amplificada por influenciadores que transformaram o ato de adquirir o item em conteúdo digital. Andrew Zheng, um dos colecionadores que acompanhou o movimento, relata que a dificuldade de acesso inicial ao produto nos Estados Unidos serviu como combustível para a energia competitiva dos fãs. Esse comportamento gerou uma subcultura de unboxing e guias de autenticidade que blindou o ecossistema da marca contra a proliferação de falsificações baratas.

A economia da personalização

O sucesso do Labubu transcendeu o varejo tradicional e entrou no campo da arte pop. A designer Kerin Rose Gold, por exemplo, criou versões customizadas para a tenista Naomi Osaka, que exibiu os bonecos durante o U.S. Open. Esse tipo de engajamento orgânico, que a designer chama de LaBlingBlings, provou ser mais eficaz do que campanhas publicitárias convencionais, dando ao personagem uma aura de item de luxo acessível e exclusivo.

Contudo, a dependência de um único personagem traz riscos. Dados da Bloomberg Second Measure indicam que o crescimento das vendas desacelerou de 120% em janeiro para 40% em fevereiro de 2026. A empresa agora tenta diversificar seu portfólio e investir em experiências imersivas, como o parque temático Popland em Pequim, para garantir que o Labubu não seja apenas uma moda passageira, mas uma franquia duradoura.

O desafio da longevidade

Para os reguladores e concorrentes, o caso Labubu serve como um estudo de caso sobre como a cultura de redes sociais pode inflar marcas em velocidades inéditas. A transição de um fenômeno viral para um negócio sustentável exige que a Pop Mart equilibre a oferta de novos personagens com a manutenção da relevância dos antigos. A parceria com o diretor Paul King para um futuro filme demonstra a intenção da marca de integrar o Labubu ao entretenimento de massa.

O mercado observa agora se a base de fãs conseguirá migrar para outros produtos da companhia ou se a fadiga do personagem é inevitável. A descentralização da atenção dos colecionadores, como notado por entusiastas que começam a buscar outros itens da Pop Mart, sugere uma fase de maturação. A sustentabilidade da marca dependerá da capacidade da empresa em gerir essa transição sem perder o valor de mercado conquistado.

Perspectivas de mercado

A questão central para os investidores permanece sobre a capacidade da Pop Mart de replicar esse sucesso com outras propriedades intelectuais. Enquanto o frenesi do verão de 2025 parece ter atingido seu ápice, o futuro da empresa reside na construção de um universo mais amplo. Observar as próximas métricas de engajamento será essencial para entender se o Labubu se tornará um ícone cultural perene ou apenas um marco de um momento específico do varejo global.

O que se desenha é um cenário onde a lealdade do consumidor é volátil e altamente dependente de novidades constantes. A Pop Mart entra em uma fase de teste onde a escala de suas operações será colocada à prova diante de um público cada vez mais exigente e volátil.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fast Company Design