Em uma madrugada de outubro de 2019, ladrões realizaram um feito audacioso: invadiram o Centro de Arte Contemporânea de Issoire, na França, e roubaram a monumental capa do "livro mais caro do mundo", uma obra do célebre pintor espanhol Salvador Dalí. A peça, que pesa 150 kg, era a proteção de um livro do Apocalipse, com o conjunto ultrapassando os 200 kg.
A capa, desenhada e forjada em bronze, é adornada com ouro, pedras preciosas e conchas marinhas. Ela envolvia uma edição especial do Apocalipse lançada pelo editor de arte Joseph Forêt em 1958. O livro em si é composto por pergaminhos com textos e ilustrações de artistas renomados como Jean Cocteau e Bernard Buffett. A escolha dos criminosos em levar apenas a capa, deixando o livro para trás, sugeriu um foco específico no valor artístico e material da peça de Dalí.
O valor de uma obra monumental
O "livro mais caro do mundo", com sua capa icônica de Dalí, já teve uma trajetória notável. Após seu lançamento em 1958, a obra viajou por cerca de 150 mostras internacionais entre 1961 e 1972. Posteriormente, foi armazenada na Suíça e vendida a proprietários japoneses. Em 2003, Christian Karoutzos, diretor de uma empresa de restauração em Issoire, adquiriu o livro. Na época do roubo, Karoutzos informou à agência AFP que o livro, em sua concepção original, foi avaliado em 2 milhões de francos franceses. Essa quantia seria equivalente a cerca de 305 mil euros, ou R$ 1,7 milhão em valores da época, consolidando seu status como um dos livros mais caros já produzidos.
A segurança de acervos de arte
O roubo da capa de Dalí, apesar de seu peso considerável, levantou sérias questões sobre a segurança de acervos de arte. A capacidade dos ladrões de penetrar em um centro de arte e subtrair uma peça tão pesada, sem serem detectados, sugeriu falhas nos sistemas de vigilância e proteção. O incidente serviu como um alerta em um contexto global de aumento no roubo de obras de arte, exigindo uma reavaliação das medidas de segurança em instituições culturais. A decisão de deixar o livro para trás indicou que os criminosos tinham conhecimento prévio sobre o valor específico da capa de Dalí ou que a logística para transportar o conjunto seria proibitiva.
Implicações para o mercado de arte
Este roubo teve implicações significativas para o mercado de arte, especialmente para obras de artistas de renome como Salvador Dalí. A capa em questão não é apenas uma peça de arte valiosa por si só, mas também um componente essencial de um objeto cultural único. A valorização de obras de arte como essa, que combinam valor artístico, material e histórico, atrai tanto colecionadores quanto criminosos. A notoriedade do roubo torna sua reintrodução no mercado legítimo praticamente impossível, aumentando a probabilidade de que seja desmontada ou vendida no mercado clandestino.
As perguntas que permanecem
O roubo da capa de Dalí deixou diversas perguntas em aberto. As questões levantadas na época — como os ladrões conseguiram superar a segurança do museu e transportar uma peça de 150 kg sem serem notados, e qual seria o destino provável da obra — continuam a ecoar no mundo da arte. Seria desmontada para venda de seus componentes preciosos, ou mantida intacta por um colecionador particular? Até hoje, o destino da obra permanece um mistério, um resultado comum para muitas peças de arte roubadas.
O caso serve como um poderoso estudo de caso para instituições culturais sobre a necessidade contínua de aprimorar seus protocolos de segurança, especialmente diante de peças de valor e peso incomuns. Embora a recuperação de tais obras seja rara, o caso da capa de Dalí permanece um lembrete contundente dos desafios enfrentados na proteção do patrimônio cultural mundial.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





