As primeiras imagens do Serpentine Pavilion 2026, projetado pelo estúdio mexicano Lanza Atelier, revelam uma estrutura que rompe com as expectativas de leveza frequentemente associadas à galeria londrina. Localizado nos Kensington Gardens, o pavilhão, batizado de A Serpentine, será aberto ao público neste sábado, 6 de junho, consolidando a tradição de intervenções arquitetônicas temporárias que marcam o calendário cultural de Londres. A obra se destaca por ser a primeira na história do projeto a utilizar o tijolo como elemento estrutural predominante.

A inspiração técnica e histórica

O conceito por trás da estrutura é a releitura das tradicionais paredes inglesas conhecidas como crinkle-crankle ou paredes serpentinas. Essas construções históricas, caracterizadas por sua forma ondulada, utilizam a geometria para garantir estabilidade estrutural com menos material do que uma parede reta convencional. Ao adotar esse formato, o Lanza Atelier não apenas presta uma homenagem ao vernáculo arquitetônico local, mas também desafia a percepção de rigidez que o tijolo costuma transmitir em projetos contemporâneos.

O uso de tijolos de Sienna, um material onipresente na construção civil britânica, reforça a conexão da obra com seu entorno imediato. Segundo Alessandro Arienzo, cofundador do estúdio, a intenção foi criar um equilíbrio constante entre o peso da história da arquitetura e as demandas de um espaço contemporâneo. Essa dualidade é o núcleo da proposta, permitindo que o pavilhão funcione simultaneamente como uma escultura habitável e um exercício de engenharia.

O mecanismo de ocupação espacial

O desenho do pavilhão é definido por duas paredes longas e sinuosas que percorrem o terreno, criando um ambiente que se fecha e se abre de forma orgânica. A cobertura translúcida, que coroa a estrutura de tijolos, atua como um filtro de luz e ar, garantindo que o interior do espaço permaneça permeável e convidativo. Essa configuração cria um microclima interno que altera a experiência do visitante conforme o sol se move ao longo do dia, enfatizando a natureza efêmera da construção.

Ao optar por uma linguagem que privilegia o tato e a massa, o Lanza Atelier se distancia de tendências recentes de pavilhões focados exclusivamente em estruturas metálicas ou membranas sintéticas. O sucesso desta abordagem depende da precisão da alvenaria, que precisa sustentar a forma sinuosa sem comprometer a segurança ou a estética minimalista pretendida pelos arquitetos.

Implicações para o ecossistema de pavilhões

Desde a primeira edição, concebida por Zaha Hadid há 26 anos, o Serpentine Pavilion tornou-se um termômetro para a relevância de arquitetos globais. A escolha de um estúdio mexicano para esta edição reforça o papel da galeria como um palco de diversidade técnica e cultural. Para o público e para os críticos, a obra levanta questões sobre a sustentabilidade e a longevidade de materiais tradicionais em projetos que, por definição, são temporários.

O mercado de arquitetura observa com atenção como intervenções de escala reduzida podem influenciar grandes projetos urbanos. A capacidade do Lanza Atelier de converter um material comum em uma forma complexa e poética serve como um precedente para futuros arquitetos que buscam integrar a história local com inovações espaciais, sem recorrer à tecnologia excessiva.

Perspectivas e o futuro do Serpentine

Embora o pavilhão tenha uma data de encerramento definida para 25 de outubro de 2026, o impacto dessa escolha material permanece como uma interrogação. A durabilidade da estrutura de tijolos em um contexto de exposição temporária sugere uma mudança de paradigma sobre o que deve ser feito com esses materiais após a desmontagem, um ponto de atenção crescente para curadores e reguladores ambientais.

O que resta observar é como a interação do público com a textura e a escala do pavilhão moldará a percepção da arquitetura de tijolos nos próximos anos. A obra convida a uma reflexão sobre a permanência em um mundo de design volátil.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Dezeen