A inteligência artificial (IA) deixou de ser uma tendência para se tornar uma urgência transformadora nas organizações. A percepção é clara: 84% dos líderes na América Latina reconhecem que as competências exigidas pela nova era tecnológica mudaram drasticamente nos últimos cinco anos. No entanto, a principal ameaça à adaptação não reside na tecnologia em si, mas na capacidade humana de liderar essa mudança. Um relatório da HIT Cowork e Von Der Heide, que consultou 184 líderes de Argentina, México, Chile e Peru, aponta que 45% identificam a falta de liderança preparada como o maior entrave.
O Descompasso Humano na Transformação Digital
O estudo, intitulado "O futuro do trabalho na América Latina", detalha que, além da liderança despreparada (45%), outros fatores como a necessidade de aprendizado contínuo (18%), a cultura de desenvolvimento (15%), a obsolescência de habilidades (14%) e a dificuldade em atrair novos talentos (8%) compõem o cenário de desafios. O cerne da questão, contudo, é a lacuna na gestão. O relatório revela que 55% dos líderes se sentem apenas "parcialmente preparados" para conduzir suas organizações nesta nova fase, enquanto apenas 22% se julgam "completamente preparados". Essa disparidade é descrita como um "desajuste temporal", onde gestores formados para um mundo de mudanças lentas agora operam em um ambiente de aceleração vertiginosa.
A Necessidade de um Liderança "People Capability Centric"
Para navegar neste cenário, o relatório sugere a emergência de um modelo de liderança "People Capability Centric", focado em habilitar o desenvolvimento contínuo das equipes. Josh Bersin, analista global de Recursos Humanos, destaca que líderes de alto desempenho ativam o potencial de suas equipes, uma função que exige competências que muitos gestores atuais não tiveram a oportunidade de desenvolver. A intenção de fechar essa lacuna temporal é crucial. Apesar de 72% dos líderes anteciparem uma transformação significativa impulsionada pela IA nas competências necessárias, apenas 16% possuem uma estratégia clara de desenvolvimento, e 21% estão apenas começando a delinear seus planos. Mariano Costa Naum, head of People da HIT, observa que a lentidão na definição de estratégias se deve a diagnósticos desatualizados, demandando mais tempo e esforço na análise das necessidades reais.
Habilidades Críticas e a Brecha de Competências
Diante deste quadro, o relatório identifica as habilidades mais críticas para os próximos três anos: adaptabilidade à mudança (58%), trabalhar com IA (52%), aprendizado contínuo (43%), pensamento estratégico (36%), pensamento crítico (34%), inteligência emocional (32%), comunicação efetiva (27%) e comunicação interdisciplinar (27%). As maiores brechas de competências percebidas atualmente estão em IA (38%), comunicação (36%) e adaptabilidade (34%). O perfil profissional emergente requer a capacidade de "aprender, desaprender e reaprender". A dificuldade em encontrar candidatos ideais, com seis de dez organizações admitindo que optam por perfis "não ideais", sinaliza a urgência de atualizar os critérios de seleção e focar no desenvolvimento de habilidades como aprendizado contínuo e proficiência em IA.
O Futuro Pede Agilidade e Aprendizado
O cenário atual exige uma mentalidade de aprendizado constante. Gabriela Campodónico, da Von Der Heide, enfatiza que o aprendizado contínuo é a chave para a inserção e reinserção no mercado de trabalho em meio à nova onda tecnológica. Não é mais possível definir estruturas ou descrições de cargo com validade de longo prazo. Francisco Santolo, CEO da Scalabi, complementa ao afirmar que a capacidade "intraempreendedora" é vital. Profissionais juniores com pensamento crítico e familiaridade com IA podem, em breve, superar seus pares mais seniores em relevância e impacto.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · La Nación — Tecnología





