A era do financiamento ilimitado para a LIV Golf chegou ao fim. A liga, que nasceu com o suporte do Fundo de Investimento Público (PIF) da Arábia Saudita para desafiar a hegemonia do PGA Tour, demitiu a maior parte de sua equipe no início de setembro, marcando o fim do ciclo de capital garantido pelo fundo soberano.

O movimento, embora esperado após avisos prévios emitidos em julho, sinaliza uma transição drástica. A LIV, antes um projeto geopolítico disfarçado de esporte, agora precisa se provar como um negócio viável. Segundo reportagem do site Front Office Sports, o próximo passo pode incluir um pedido de recuperação judicial (Chapter 11, na lei americana), não para liquidar a operação, mas para reestruturá-la sob um novo modelo de capital.

Do cheque em branco à reestruturação

A busca por um novo fôlego financeiro já está em curso. A LIV negocia um aporte entre US$ 250 milhões e US$ 350 milhões com a BC Partners Credit, uma gestora de crédito privado. A leitura aqui é que a recuperação judicial funcionaria como uma ferramenta para limpar o balanço e viabilizar a transição para o que a gestão chama de “LIV 2.0”.

Neste novo formato, a liga seria majoritariamente controlada pelos próprios jogadores, que receberiam participação acionária. A estratégia busca alinhar incentivos e garantir a permanência de um “massa crítica de jogadores relevantes”, nas palavras do CEO Scott O’Neil. A questão é se os atletas, acostumados com contratos garantidos e vultosos, aceitarão o risco de se tornarem sócios de um negócio em reestruturação.

Contratos, dívidas e o futuro incerto

O principal obstáculo para a LIV 2.0 são as obrigações do passado. Muitos jogadores, como Jon Rahm, ainda têm anos de contrato e valores significativos a receber — mais de US$ 100 milhões apenas no caso de Rahm. A complexidade é que o PIF, e não a nova entidade, é o responsável legal por quitar esses contratos, o que cria uma zona cinzenta que pode afastar novos investidores.

Além dos jogadores, fornecedores e prestadores de serviço também acumulam faturas não pagas, resultando em um número crescente de processos judiciais. Para se tornar uma operação sustentável, a LIV precisará resolver essas pendências. Enquanto isso, o tempo corre: o PGA Tour já divulgou seu calendário para 2027, pressionando a concorrente a definir seu próprio futuro e provar que sua disrupção foi mais do que um breve e caro capítulo na história do golfe profissional.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Front Office Sports