Após duas décadas imersa na efervescência de Londres, a decisão de buscar um novo lar em Gozo, uma ilha do arquipélago maltês, foi motivada pela promessa de um refúgio mais tranquilo. A expectativa era de uma vida simples e silenciosa, longe do ritmo frenético da metrópole. No entanto, a realidade que se apresentou foi um mosaico de surpresas, onde a serenidade almejada conviveu com um dinamismo cultural e social que desafiou as previsões iniciais da autora.
A mudança para Malta, em novembro de 2019, foi impulsionada por uma oportunidade profissional inesperada para liderar uma equipe de conteúdo. Inicialmente estabelecida em Sliema, na costa leste de Malta, a autora logo percebeu que a ilha principal era um centro mais agitado do que imaginava. A experiência, marcada pelas idas e vindas das restrições da pandemia de COVID-19, mostrou um lado de Malta que ia além da tranquilidade buscada. A possibilidade de um trabalho remoto, surgida em maio de 2021, abriu caminho para uma nova exploração, e a sugestão de amigos locais a levou a Gozo, a segunda maior ilha do arquipélago.
A Ilha que Desafia Expectativas
Gozo, com seus cerca de 26 milhas quadradas e uma população de aproximadamente 40.000 habitantes, é frequentemente descrita como mais rural e serena, remetendo a uma Malta de décadas passadas. A autora, que nunca havia ouvido falar da ilha antes de se mudar para Malta, encontrou em suas visitas diurnas o charme e a beleza que a atraíram. A decisão de se mudar para Gozo foi um passo em direção ao ideal de vida que ela imaginara ao deixar Londres. O que se seguiu, contudo, foi uma série de descobertas que contrapuseram a noção de uma existência monótona.
A ilha, apesar de sua escala modesta em comparação com Londres, revelou uma vida cultural surpreendentemente rica. Longe da cena de comédia ao vivo da capital britânica, Gozo abriga dois teatros que apresentam concertos, musicais e óperas ao longo do ano. Festivais de cinema e teatro, celebrações de St. Patrick's Day, Carnaval, Natal e Paradas do Orgulho são eventos regulares. A abundância de festivais gastronômicos, celebrando desde frutas cítricas a azeite, e as tradicionais festas de vilarejo em honra aos santos padroeiros, com marchas, concertos e fogos de artifício, compõem um calendário vibrante. A autora destaca que, em Londres, o acesso à cultura frequentemente exigia investimento e planejamento, enquanto em Gozo, a maioria das atividades é gratuita e acessível.
Conexões e Comunidade Insular
A variedade de eventos em Gozo facilitou a construção de novas amizades. A proximidade e a frequência de atividades culturais criam oportunidades naturais para interações sociais, seja para acompanhar um concerto ou simplesmente esbarrar com conhecidos durante as festividades. Essa teia social, construída em torno de experiências compartilhadas, contrasta com a potencial anonimidade de uma grande metrópole como Londres, onde o acesso à cultura pode ser mais individualizado e, por vezes, isolado.
A vida insular, no entanto, não é isenta de desafios. A autora aponta para a limitação na variedade culinária em comparação com a diversidade de Londres, e para os períodos de recesso de muitos restaurantes durante o inverno. As temperaturas elevadas no verão, que frequentemente ultrapassam os 32°C, e a falta de entrega no dia seguinte para compras online exigem um planejamento mais cuidadoso e uma reflexão sobre a real necessidade de cada aquisição. Além disso, a dependência do transporte marítimo para a ilha significa que tempestades de inverno podem levar ao isolamento completo, exigindo vigilância constante da previsão do tempo e a estocagem de suprimentos.
O Equilíbrio entre Serenidade e Vibração
A experiência em Gozo ilustra um paradoxo: a busca por uma vida pacata pode levar a descobertas inesperadas de dinamismo e comunidade. A autora, que sonhava com manhãs silenciosas ao som de galos, encontrou não apenas essa serenidade, mas também a vivacidade das festas de vilarejo, a riqueza da programação cultural e dias repletos de aventuras. O que poderia ter se configurado como um refúgio tranquilo tornou-se um palco para uma vida social e culturalmente ativa, provando que a definição de uma vida mais simples não significa, necessariamente, uma vida com menos acontecimentos.
Source · Business Insider





