Londres continua a ser o epicentro da infraestrutura digital do Reino Unido, concentrando quase 40% dos 555 datacenters do país e dois terços de sua capacidade de computação, estimada em 1,6 GW. A capital soma sozinha mais de 1 GW de potência instalada, um reflexo de sua importância como centro financeiro e ponto de conexão com cabos submarinos.
Contudo, essa hegemonia começa a ser desafiada por uma realidade física e econômica. Segundo uma reportagem do site The Register, um movimento significativo de expansão para outras regiões está em andamento, impulsionado não apenas pela demanda crescente da inteligência artificial, mas principalmente pelas restrições de energia e planejamento urbano que se tornaram críticas na metrópole.
A capital sob pressão
A concentração em Londres, com seus 219 datacenters, não é um acaso. Historicamente, a proximidade com a City e com as rotas de fibra ótica que cruzam o Atlântico justificou os investimentos. O problema é que o crescimento atingiu um teto. A rede elétrica londrina já opera sob estresse, e a obtenção de licenças para novas construções de grande porte tornou-se um processo lento e custoso.
Essa saturação força os desenvolvedores a buscarem alternativas fora do anel viário M25. A leitura é que o modelo de hipercentralização, que funcionou por décadas, está se esgotando. A demanda por capacidade, especialmente para cargas de trabalho de IA, não diminuiu, mas a oferta de espaço e energia em Londres já não consegue acompanhá-la no mesmo ritmo, criando uma oportunidade para o desenvolvimento regional.
O avanço das regiões
O mapa da expansão revela uma nova geografia. O País de Gales, por exemplo, já desponta como a segunda região em capacidade (154 MW), à frente do Sudeste da Inglaterra (128 MW). Mas o futuro parece ainda mais distribuído, com projetos de escala massiva planejados para o norte do país. O destaque é o plano da gestora Blackstone para uma instalação de 720 MW em Northumberland, um projeto que, sozinho, representa quase metade da capacidade atual de todo o Reino Unido.
Essa migração, no entanto, não é isenta de obstáculos. O custo da energia em todo o país é um fator crítico, como evidenciado pela decisão da OpenAI de pausar seus planos para um datacenter na região. A descentralização é, portanto, uma faca de dois gumes: resolve o gargalo londrino, mas expõe os projetos a desafios macroeconômicos e de infraestrutura em escala nacional.
O redesenho do mapa de datacenters britânico não é apenas uma história sobre imóveis e tecnologia. É um indicativo de como as restrições do mundo físico — terra e energia — estão moldando a arquitetura da economia digital. A expansão para a periferia não é uma opção, mas uma necessidade imposta pelos limites do crescimento concentrado.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · The Register




