As ações da Mills (MILS3) registraram forte alta de 15,4% na segunda-feira (25), após o anúncio de que o grupo francês Loxam firmou acordo para adquirir o controle da companhia. A transação envolve a compra de 50,3% das participações pertencentes à família Nacht, ao Southern Cross Group e à Sullair Argentina, por R$ 16 por ação. O valor representa um prêmio de 22% em relação ao fechamento anterior, conferindo à empresa um valor de mercado de aproximadamente R$ 3,8 bilhões.
Com a mudança de comando, a Loxam deverá lançar uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) para os acionistas minoritários, conforme as regras do Novo Mercado da B3. A concretização do negócio ainda está sujeita a aprovações regulatórias, notadamente o aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE).
Consolidação e prêmio estratégico
A entrada da Loxam no Brasil via Mills sinaliza uma estratégia clara de consolidação em um mercado fragmentado, mas com alta demanda por ativos de locação. O múltiplo de 5 vezes o EV/Ebitda estimado para 2026, apontado pelo BTG Pactual, reforça a percepção de que a operação foi atrativa para o comprador, dada a solidez operacional da brasileira.
A Mills, listada na B3 desde 2010, construiu um histórico resiliente de fusões e aquisições. A leitura editorial aqui é que a Loxam não busca apenas um ativo, mas uma plataforma já estruturada para expandir sua presença na América Latina, aproveitando a eficiência fiscal e operacional que a Mills demonstrou ao diversificar seu portfólio.
Diversificação como motor de valor
O desempenho da Mills no 1T26, com lucro líquido de R$ 197 milhões, ilustra o sucesso da transição de um modelo focado apenas em plataformas elevatórias para um ecossistema multisserviços. A inclusão da linha amarela e de empilhadeiras permitiu que a companhia acessasse setores como infraestrutura, agro e mineração.
Essa estratégia de diversificação foi o diferencial que permitiu à empresa contornar a limitação de um mercado endereçável restrito. Ao oferecer uma gama mais ampla de equipamentos, a Mills não apenas aumentou sua receita, mas tornou-se um alvo mais estratégico para players globais que buscam escala em mercados emergentes.
Implicações para o setor de locação
A aquisição altera o equilíbrio de forças no mercado brasileiro de locação de máquinas pesadas. A presença de um player global como a Loxam tende a aumentar a pressão competitiva sobre empresas locais, exigindo maior eficiência operacional e escala para manter margens de lucro diante de um competidor com acesso a capital estrangeiro.
Para os minoritários, a OPA oferece uma saída com prêmio, mas também levanta questões sobre o futuro da governança da companhia sob o controle estrangeiro. A transição deve ser observada de perto, especialmente quanto à manutenção da cultura de M&A que pautou o crescimento recente da Mills.
O que observar daqui para frente
O principal ponto de atenção agora reside na velocidade e nas condições impostas pelo CADE para a aprovação da operação. A análise da autoridade antitruste será crucial para entender como o mercado brasileiro reagirá à concentração de ativos de locação.
Além disso, resta saber se a Loxam manterá a estratégia de expansão agressiva em novas frentes de negócio ou se focará na integração das operações. O mercado, por ora, reagiu positivamente, precificando o otimismo em torno da consolidação do setor.
O movimento da Loxam coloca o Brasil no centro das atenções do setor global de locação de equipamentos, testando a capacidade de integração de uma empresa brasileira de sucesso em uma estrutura multinacional. A trajetória da Mills nos próximos trimestres será um termômetro para outras companhias do setor que buscam escala internacional.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





