O Grupo Lufthansa emergiu como o principal interessado na aquisição de uma participação de até 49,9% na TAP Air Portugal, superando seu rival Air France-KLM. A decisão sobre qual companhia avançará para uma negociação final com o governo português está prevista para esta quarta-feira. Fontes familiarizadas com o assunto confirmaram que a oferta da companhia alemã apresenta condições financeiras mais vantajosas, conforme noticiado inicialmente pela SIC Notícias e corroborado pela Bloomberg.

O governo luso realizará uma reunião de conselho de ministros para deliberar sobre o vencedor do processo de privatização da companhia aérea nacional. Após a apresentação de ofertas aprimoradas no início de outubro, a Parpública, entidade estatal responsável, compilou um relatório avaliativo das propostas e o submeteu ao Executivo. Diante da proximidade entre as ofertas de Lufthansa e Air France-KLM, o governo já havia estendido um convite para uma fase de negociação de três semanas.

A TAP registrou um prejuízo líquido de 99,2 milhões de euros na primeira metade de 2026, um aumento de 40,3% em relação ao ano anterior. Esse resultado foi impactado pelo encarecimento dos combustíveis, apesar de a companhia ter alcançado um recorde em receitas e número de passageiros. O processo de venda parcial da TAP, reaberto em 2025, viu a retirada do grupo IAG, proprietário da Iberia, reduzindo a disputa a dois candidatos.

A estratégia da Lufthansa em focar em uma aquisição direta de participação, sem a inclusão de ações para o governo como parte do pagamento, contrasta com a abordagem da Air France-KLM, que estaria disposta a oferecer essa modalidade. A movimentação da Lufthansa se alinha a uma estratégia mais ampla de consolidação no mercado aéreo europeu, onde a companhia já detém participações em outras companhias e busca expandir sua rede e eficiência operacional.

A potencial entrada da Lufthansa no controle de uma fatia significativa da TAP pode reconfigurar o cenário competitivo na Europa. A TAP, com sua posição estratégica em rotas transatlânticas e para a África, representa um ativo valioso. A escolha da Lufthansa poderia fortalecer sua presença no mercado ibérico e complementar sua rede de voos, enquanto a Air France-KLM perderia uma oportunidade de expansão que poderia otimizar suas operações.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España