A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para um novo mandato em 2026 agitou o mercado financeiro brasileiro, provocando uma reação imediata e negativa entre os investidores. A segunda-feira pós-eleição (26 de outubro de 2026) viu o EWZ, o ETF que replica o desempenho do índice Ibovespa negociado em Nova York, sofrer uma queda expressiva de quase 30%. A frustração de expectativas, com muitos apostando em uma vitória do candidato bolsonarista, se refletiu também na desvalorização dos recibos de ações de empresas brasileiras no exterior (ADRs). O cenário eleitoral dominou as atenções, relegando a segundo plano outros indicadores e o desempenho dos mercados internacionais.
Reação do Mercado e Projeções Econômicas
O impacto da vitória de Lula nas urnas se estendeu às projeções econômicas. O Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, trouxe uma revisão nas expectativas de inflação e da taxa Selic para 2026. Economistas consultados pelo BC diminuíram as projeções para a inflação oficial (IPCA) em 2026, de 5,22% para 5,19%, embora a estimativa ainda permaneça acima do patamar de 5%. Para 2027, a mediana das projeções para o IPCA subiu levemente. As projeções para a Selic também foram ajustadas para baixo. É importante notar que a pesquisa do Focus foi finalizada antes do resultado eleitoral, o que sugere que movimentos mais concretos nas projeções poderão ser observados nas próximas divulgações, à medida que os analistas digerem o novo cenário político.
Banco do Brasil sob Fogo Cruzado
O Banco do Brasil (BBAS3) tornou-se um dos focos de atenção após a divulgação de uma recomendação de venda pelo Citi. Os analistas do banco americano revisaram sua cobertura de instituições financeiras após o resultado eleitoral e estabeleceram um preço-alvo de R$ 15 para as ações do BBAS3, implicando um potencial de queda de cerca de 20% em relação ao fechamento do dia 27 de outubro. A tese de investimento do Citi aponta para crescentes preocupações com a qualidade dos ativos do banco, com destaque para o segmento do agronegócio. Além disso, a maior exposição a riscos políticos e regulatórios em um novo governo Lula também pesam na análise.
Reforma Tributária e Ajuste Fiscal
A semana também trouxe atualizações sobre a reforma tributária sobre o consumo. O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou uma alíquota de 11,3% para a Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS), que entrará em vigor em 2027. Este valor é superior ao que o governo havia estimado inicialmente, e o resultado será enviado ao Senado para deliberação final. A reforma visa substituir tributos federais como PIS e Cofins pela CBS, e unificar ICMS (estadual) e ISS (municipal) em um Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Em paralelo, a economista Zeina Latif avaliou que o ajuste fiscal no Brasil não se resume a cortes generalizados de despesas, mas sim à adoção de medidas que controlem o ritmo de crescimento dos gastos públicos. Latif defende uma estratégia gradual, com revisões em políticas públicas e correções em distorções de despesas e benefícios existentes.
O cenário pós-eleição de 2026 apresenta um quadro de incertezas para o mercado financeiro brasileiro. A reação inicial com a queda do EWZ e a revisão negativa para o Banco do Brasil indicam a cautela dos investidores diante do novo governo. Enquanto isso, a reforma tributária e as discussões sobre ajuste fiscal continuam a moldar as expectativas econômicas. A forma como o governo Lula lidará com essas questões nos próximos meses será crucial para a estabilidade e o desempenho do mercado.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





