A reta final da campanha eleitoral de 2026 pode reservar um dos poucos confrontos diretos entre os principais candidatos à presidência. A TV Globo agendou para 1º de outubro, a apenas três dias do primeiro turno, um debate que pode reunir o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Até o momento, apenas o senador confirmou sua participação, enquanto a campanha petista ainda avalia a conveniência da presença de Lula.

A emissora convidou também Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD), mas estabeleceu o fim da semana como prazo para as confirmações. A estratégia de Flávio Bolsonaro em condicionar sua participação à presença de Lula foi mantida, com o argumento de que, na ausência do presidente, ele se tornaria o alvo principal dos demais concorrentes. A confirmação antecipada de sua ida ao debate na Globo sinaliza a intenção de um confronto direto.

Um palco para o embate decisivo

A campanha de Lula vê no debate uma oportunidade de disputar votos com Flávio Bolsonaro diante de uma audiência ampla na fase decisiva da campanha. No entanto, a resistência inicial da equipe petista residia no formato de debates anteriores, onde Lula, como presidente e líder nas pesquisas, se via como alvo de múltiplos ataques de candidatos de direita e centro-direita. O desenho do debate da Globo, com um número restrito de participantes, parece ter mitigado essa preocupação, aumentando a probabilidade de um confronto mais focado entre os dois líderes nas pesquisas.

Outros debates esvaziados ou cancelados

A eleição de 2026 tem se caracterizado pela baixa participação dos principais candidatos em debates. Lula e Flávio Bolsonaro não compareceram ao primeiro debate televisionado, promovido pela Band em agosto, que contou com a participação de Ronaldo Caiado, Renan Santos e Augusto Cury. Outros eventos agendados para setembro perderam relevância devido às ausências dos candidatos que concentram a disputa. A Record, por exemplo, cancelou um debate previsto para o último domingo (27) após a não confirmação de presença de Lula e Flávio. Esse cenário aponta para um dos menores números de debates presidenciais no primeiro turno desde 1998, com apenas dois eventos televisionados, e o último deles sendo a única chance de um confronto direto entre os principais nomes.

Estratégias de exposição e evasão

A estratégia de evitar confrontos diretos por parte das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro é fruto de cálculos distintos. Lula buscou minimizar a exposição a ataques simultâneos, priorizando entrevistas, viagens e atos de campanha. Por outro lado, Flávio Bolsonaro condicionou sua participação à presença do presidente, evitando assumir sozinho o papel de principal alvo. O resultado é uma campanha eleitoral onde os dois candidatos que polarizam a disputa presidencial raramente dividiram o mesmo palco, tornando o debate da Globo a última e talvez única oportunidade de um embate direto antes da votação.

O que esperar do embate?

A participação de Lula no debate da Globo, ainda pendente de confirmação, é o fator crucial para definir se haverá um confronto direto entre os principais candidatos. Caso ele compareça, o debate promete ser um momento de alta tensão e troca de acusações, onde ambos os candidatos tentarão consolidar suas bases e atrair eleitores indecisos. A ausência de Lula, contudo, reforçaria a tendência de uma campanha com pouca exposição pública conjunta dos líderes, deixando a decisão nas mãos dos eleitores em um cenário de alta polarização.

A definição da agenda presidencial para os dias 30 de setembro e 1º de outubro pela campanha petista demonstra a abertura para a participação, mas a decisão final dependerá de uma análise estratégica sobre os riscos e benefícios de um confronto direto na véspera do primeiro turno. A expectativa é que a confirmação ou recusa ocorra nos próximos dias, moldando os últimos momentos da campanha eleitoral.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney