Uma nova pesquisa para a eleição presidencial de 2026, encomendada pelo BTG Pactual ao instituto Nexus, revela um cenário de notável estagnação e resiliência da polarização política brasileira. No principal cenário de primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 40% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) registra 37%. Em uma simulação de segundo turno, a disputa se acirraria para um empate técnico: 46% para Lula contra 45% para o senador, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Os números, divulgados pelo Money Times, são menos uma previsão e mais um diagnóstico do presente. Eles indicam que, mesmo com a substituição da figura de Jair Bolsonaro por seu filho, a estrutura de blocos que define a política nacional permanece sólida. A disputa não parece ser sobre conquistar novos eleitores, mas sobre a capacidade de mobilização de bases já consolidadas e a rejeição do adversário.
A resiliência dos blocos
A estabilidade dos percentuais é o dado mais eloquente. As variações em relação a levantamentos anteriores são mínimas, sugerindo que o eleitorado já se encontra largamente decidido. Segundo a própria pesquisa, 84% dos entrevistados que declararam um candidato afirmam que sua decisão é final. Este é um patamar altíssimo para uma eleição que ainda está a dois anos de distância.
O fator determinante, nesse contexto, passa a ser a rejeição. Tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro enfrentam tetos elevados: 49% do eleitorado diz que não votaria no atual presidente de jeito nenhum, enquanto 50% afirmam o mesmo sobre o senador. Com pouco espaço para crescimento, a eleição se desenha como uma batalha para minimizar as próprias vulnerabilidades e explorar as do oponente, em uma repetição da dinâmica de 2022.
O desafio da terceira via
O levantamento também testa outros nomes, como Augusto Cury (6%), o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (5%), e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (1%). Em cenários de segundo turno contra Lula, todos demonstram competitividade, com destaque para o empate técnico entre o presidente e Caiado (45% a 45%). Contudo, a dificuldade desses candidatos é romper a inércia do primeiro turno.
A força gravitacional dos dois polos consolidados torna a construção de uma alternativa viável uma tarefa hercúlea. Para um candidato da chamada "terceira via", o desafio não é apenas apresentar uma plataforma, mas convencer um eleitorado já entrincheirado de que existe um caminho fora da polarização que domina o debate público há quase uma década.
A dois anos do pleito, a fotografia da pesquisa BTG/Nexus mostra um país politicamente dividido ao meio, com dois campos de força bem definidos e pouca disposição para o diálogo. A grande questão que se abre não é se a polarização irá ditar o ritmo de 2026, mas qual dos lados conseguirá navegar com mais eficiência as margens estreitas que esse cenário impõe.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times




