O cenário de fusões e aquisições (M&A) no México, um termômetro da atividade econômica e do apetite por investimentos, registrou um desempenho mais modesto nos primeiros nove meses do ano. De acordo com um relatório da TTR Data, o país contabilizou 200 operações transacionais, movimentando um total agregado de US$ 14,549 bilhões (aproximadamente € 12,942 bilhões). Este volume representa uma retração de 12% no número de transações e de 25% no valor em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Cenário e Setores em Destaque

Apesar da queda geral, alguns setores demonstraram resiliência e dinamismo. O setor imobiliário se destacou como o mais ativo, respondendo por 31 operações e um expressivo aumento de 48% no capital mobilizado. Em seguida, o setor de software industrial apresentou 29 transações, mantendo o capital movimentado estável. Esses números indicam uma preferência por ativos tangíveis e soluções tecnológicas que suportam a digitalização de negócios, mesmo em um contexto de cautela geral.

Fluxos de Investimento e Origens de Capital

No que tange aos fluxos de investimento transnacional, o relatório aponta que empresas mexicanas têm direcionado seus recursos para o exterior, com destaque para a Espanha, que atraiu 12 transações. Brasil e Estados Unidos (EUA) também figuram como destinos importantes, com oito operações cada. Por outro lado, os EUA continuam sendo o principal investidor estrangeiro no México, com 48 aquisições registradas. O Reino Unido e o Brasil também marcaram presença, com dez e seis transações, respectivamente. A análise de Pedro da Costa, líder de M&A de soluções transacionais da Aon, reforça a importância contínua dos setores de energia, mineração e infraestrutura de telecomunicações para o M&A latino-americano, prevendo que estes setores manterão seu protagonismo até 2027, embora sujeitos às condições de financiamento e ao ambiente regulatório.

Tipologias de Transações

Ao detalhar os tipos de transações, o mercado mexicano apresentou uma diversidade de operações. As fusões e aquisições tradicionais somaram 88 negócios, totalizando US$ 7,122 bilhões (€ 6,336 bilhões). As compras de ativos totalizaram 49 transações, com um valor de US$ 2,803 bilhões (€ 2,493 bilhões). As rodadas de capital de risco (venture capital) somaram 45 operações, atraindo US$ 1,246 bilhão (€ 1,108 bilhão), enquanto o capital privado (private equity) realizou 18 transações, com um volume considerável de US$ 3,379 bilhões (€ 3,006 bilhões). Essa distribuição reflete um ecossistema que busca tanto consolidação em setores maduros quanto financiamento para novas empresas e tecnologias.

Perspectivas e Desafios

A desaceleração observada no mercado transacional mexicano até setembro sinaliza um período de maior seletividade e cautela por parte de investidores e empresas. Fatores como o cenário macroeconômico global, as taxas de juros e a incerteza geopolítica podem ter contribuído para essa tendência. No entanto, a resiliência de setores específicos e o interesse contínuo de investidores estrangeiros, especialmente dos EUA, sugerem que o mercado possui fundamentos sólidos para uma eventual recuperação. A capacidade de compradores e vendedores em alinhar expectativas de valor, juntamente com a evolução do ambiente regulatório, serão cruciais para definir o ritmo e a direção dos negócios nos próximos meses.

O cenário de M&A no México, embora em desaceleração, continua a ser um reflexo das dinâmicas econômicas e setoriais do país e da região. A análise dos fluxos de investimento e das tipologias de transações oferece pistas sobre onde o capital está sendo alocado e quais setores são vistos como mais promissores, mesmo diante de um quadro de maior prudência. A evolução deste mercado nos próximos trimestres será um indicador importante da confiança dos investidores e da saúde econômica mexicana.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España