A Maddox Gallery, com operações em Londres e Dubai, está no centro de uma disputa judicial que questiona a integridade das avaliações no mercado de arte contemporânea. A Luxury Asset Capital (LAC), uma empresa especializada em empréstimos garantidos por ativos de alto valor, protocolou uma ação no Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito Sul de Nova York, alegando que a galeria forneceu estimativas falsas de mercado para obras de Duncan McCormick e Albert Willem.

Segundo o processo, a LAC alega ter sido induzida a aceitar essas obras como garantia substituta para um empréstimo originalmente lastreado em uma pintura de George Condo. O impasse teve origem em julho de 2022, após a inadimplência de um negociante de arte chamado Seth Carmichael, cujos ativos em posse da LAC tornaram-se objeto de disputa de titularidade com a Maddox, culminando em um acordo extrajudicial em dezembro de 2023.

A mecânica da disputa e as acusações de manipulação

A acusação central da LAC aponta para um suposto esquema de "pump and dump", no qual uma rede de atores teria inflado artificialmente os preços de leilão das obras de McCormick e Willem. A denúncia afirma que esses valores, por vezes 10 a 15 vezes superiores às estimativas iniciais das casas de leilão, foram utilizados pela galeria para justificar avaliações infladas de seu próprio inventário.

Após o encerramento das atividades de manipulação de lances, os preços de mercado dessas obras sofreram uma queda acentuada, deixando o credor com ativos que representam apenas uma fração do valor originalmente apresentado. A LAC sustenta que, mesmo após o declínio, a direção da Maddox, representada pelo CEO John Russo, teria assegurado que as avaliações eram conservadoras e que as vendas futuras superariam as estimativas iniciais.

A defesa da Maddox Gallery

Nick Sharp, cofundador e diretor administrativo da Maddox Gallery, negou categoricamente as alegações, classificando o processo como uma manobra baseada em uma teoria conspiratória sem suporte factual. Sharp argumenta que a LAC tinha pleno conhecimento das obras e oportunidade de realizar a devida diligência antes de formalizar o acordo de troca de garantias em 2023.

O executivo afirmou que a galeria nunca participou de esquemas de manipulação e que nunca negociou, direta ou indiretamente, obras de McCormick ou Willem em leilões. A defesa da Maddox já apresentou um pedido de arquivamento da ação, sustentando que a tentativa da LAC é uma manobra de má-fé para desfazer um contrato que foi assinado com plena ciência das partes envolvidas.

Implicações para o mercado de colaterais de arte

O caso traz à tona a fragilidade inerente ao uso de arte como colateral financeiro, um setor que depende pesadamente da subjetividade e da opacidade dos preços de mercado. A necessidade de evidências internacionais, como solicitado pelo juiz Robert W. Lehrburger junto à Christie’s e Sotheby’s no Reino Unido, evidencia a complexidade de auditar o valor real de ativos artísticos em disputas de crédito.

Para reguladores e instituições financeiras, o desfecho deste processo servirá como um termômetro sobre a validade dos modelos de avaliação de risco em ativos alternativos. A tensão entre a autonomia das galerias e a necessidade de transparência dos credores reflete um desafio crescente em um mercado onde a volatilidade de artistas emergentes pode comprometer a estabilidade de garantias bilionárias.

O futuro da demanda judicial

O tribunal agora avalia o pedido de arquivamento apresentado pela defesa da Maddox. A incerteza reside na capacidade da LAC de apresentar evidências concretas que vinculem a galeria ao suposto esquema de manipulação de preços em leilões internacionais.

Acompanhar a decisão judicial será fundamental para entender se o Judiciário americano aceitará a tese de manipulação de mercado ou se manterá a validade dos contratos privados de troca de garantias. A resolução do caso definirá novos precedentes para a governança em transações envolvendo ativos de arte de alto valor.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · ARTnews