A Porto, uma das maiores seguradoras do país, atingiu a marca de 5,6 milhões de usuários em seus aplicativos, um marco em sua jornada de transformação digital. O principal canal, o App Porto, concentra sozinho 5,2 milhões de clientes, um crescimento de 22%, segundo informou a companhia em comunicado divulgado pelo portal TIInside.

Os números, embora expressivos, contam apenas parte da história. O movimento sinaliza uma aposta estratégica para converter um negócio tradicional e de baixa frequência de interação — o de seguros — em um ecossistema digital de alto engajamento. A tese é que o aplicativo deixe de ser apenas uma ferramenta para acionar um sinistro e se torne a porta de entrada para o universo de produtos da companhia, em especial os financeiros.

O app como ecossistema

A ambição de criar um “superapp” é um roteiro conhecido no mercado de tecnologia, mas de difícil execução. A vantagem da Porto reside em sua base massiva e estabelecida de clientes, que serve como um público cativo para a nova plataforma. O sucesso inicial da estratégia é refletido não apenas no volume de usuários, mas na qualidade da experiência: a empresa reporta um Net Promoter Score (NPS) em “zona de excelência” e altas avaliações nas lojas de aplicativos.

Manter esse nível de satisfação é crucial. Para a estratégia funcionar, o aplicativo precisa oferecer valor contínuo, integrando serviços que vão do seguro automotivo à gestão de um cartão de crédito. Ao centralizar o relacionamento, a Porto busca criar um fosso competitivo, dificultando a entrada de concorrentes digitais e aumentando o custo de troca para o cliente, que passa a ter múltiplos serviços atrelados a uma única plataforma.

A ponte para o Porto Bank

O verdadeiro motor da estratégia parece ser a vertical financeira, o Porto Bank. Produtos como cartão de crédito e consórcios são citados pela própria empresa como os vetores de “recorrência e recência” do aplicativo. Enquanto o seguro é um produto de baixa interação, os serviços financeiros geram engajamento diário, transformando fundamentalmente a natureza do relacionamento com o cliente.

Para a Porto, cada login é uma oportunidade de cross-sell e de aprofundar a fidelidade. Para o corretor, parceiro histórico da seguradora, a plataforma digital se torna uma ferramenta mais robusta de gestão e suporte à sua carteira de clientes. O desafio, agora, é provar que o engajamento no app se traduz em maior rentabilidade por cliente e consolida a Porto não apenas como uma seguradora, mas como uma empresa de serviços financeiros integrada.

A execução da estratégia definirá se a Porto conseguirá operar com a agilidade de uma empresa de tecnologia, mantendo o ritmo de inovação necessário para competir em um cenário cada vez mais digital. Os números iniciais são um bom presságio, mas a jornada de transformação de um incumbente é uma maratona, não uma corrida.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · TIInside