O estúdio francês Maison Cédrat, radicado no sul do país, apresentou sua nova coleção de luminárias, batizada de Aura. Desenhadas por Pierre Samouilla e Alix Lalucaa, as peças exploram um diálogo singular entre a solidez da argila e a leveza quase etérea do papel washi artesanal.

Mais do que objetos funcionais, a coleção trata a própria luz como um material de construção, capaz de alterar texturas, volumes e a atmosfera de um ambiente ao longo do dia. A inspiração, segundo reportagem da revista Designboom, vem diretamente das paisagens e da cultura material do Mediterrâneo.

O diálogo entre terra e ar

A base de cada luminária é a argila, trabalhada e finalizada à mão na França. Disponíveis em acabamentos de argila crua, terracota ou preta, os componentes cerâmicos conferem uma presença tátil e ancorada às peças, retendo deliberadamente as marcas do processo artesanal. É uma celebração da matéria em seu estado bruto, sem polimentos excessivos.

Em contraponto a essa densidade, o papel washi, tradicionalmente japonês e também feito à mão, introduz translucidez e suavidade. Produzido a partir de fibras naturais, sua superfície irregular se torna parte do caráter visual da peça quando acesa, filtrando a luz em um brilho dourado e quente que os designers associam ao pôr do sol mediterrâneo.

Três formas, uma mesma luz

A coleção Aura se desdobra em três modelos distintos: a Lumia, uma luminária de mesa de porte maior; a Écla, que reduz a composição a uma escala mais contida; e a Nova, uma peça pendente que suspende uma cúpula de papel em torno de um núcleo de terracota extrudada.

Apesar dos formatos variados, a família de produtos compartilha uma ênfase em proporções equilibradas e contrastes materiais discretos. Elementos ajustáveis no papel permitem que o usuário direcione a luz e module a atmosfera, tornando os objetos menos estáticos do que suas silhuetas esculturais sugerem à primeira vista.

Para os designers, a coleção reflete uma filosofia de observar o que já existe antes de criar algo novo. O resultado são peças que mudam de caráter entre o dia e a noite, convidando a uma apreciação mais lenta tanto dos objetos quanto dos espaços que eles habitam.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Designboom