O Partido Socialista (PSIB) elevou o tom das críticas contra o Consell de Mallorca, órgão de governo da ilha espanhola, acusando a gestão atual, do Partido Popular (PP), de abandonar a política turística em favor de uma “sucessão de campanhas publicitárias”. A denúncia, reportada pela Forbes España, aponta para um suposto fracasso na administração do setor após três anos de mandato.

A disputa em Mallorca ecoa um dilema cada vez mais presente em destinos turísticos globais, incluindo o Brasil: a tensão entre a promoção econômica e a gestão de suas externalidades negativas, como a saturação da infraestrutura e a crise imobiliária. A leitura aqui é que o embate não é sobre o turismo em si, mas sobre a substância das políticas públicas — se são ações concretas ou apenas marketing para aplacar os ânimos.

Marketing como cortina de fumaça

Para os socialistas, a estratégia do governo local se resume a slogans. Andreu Serra, conselheiro do PSIB, cita a recente campanha ‘De bon deveres’ como “propaganda para esconder uma realidade que cada vez é mais difícil de dissimular”. A crítica central é que o foco em publicidade desvia a atenção da saturação sazonal, da falta de fiscalização e de uma gestão que prioriza manchetes em detrimento de decisões estruturais.

O ponto mais sensível da acusação é a gestão da oferta de aluguéis por temporada. O PSIB lembra que a própria instituição insular admitiu que quase 40% da oferta analisada não possuía registro, criando um mercado paralelo que pressiona o setor imobiliário e prejudica a convivência local. Os socialistas criticam o governo por celebrar a remoção de anúncios de plataformas online, argumentando que isso “não equivale a fechar moradias ilegais”. A falta de transparência sobre o número de estabelecimentos efetivamente fechados alimenta a desconfiança. “Se tivessem resultados sólidos, os publicariam”, provocou Serra.

A demanda do grupo socialista para reduzir o teto de vagas turísticas, através da revisão do Plano de Intervenção em Âmbitos Turísticos (PIAT), segue sem resposta do PP. O caso de Mallorca serve de microcosmo para um desafio que vai de Barcelona a Lisboa: como governar o turismo para além do apelo publicitário, garantindo que o motor econômico não sufoque a qualidade de vida dos residentes. A questão não é ser contra o turismo, mas proteger seu futuro.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España