O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, está tentando construir uma ponte com a elite empresarial da cidade. A iniciativa mais recente é a criação de um Conselho Consultivo de Negócios, formado por 15 executivos, com o objetivo de abrir um canal de diálogo entre sua administração, de linha socialista democrática, e o setor privado.

O grupo inclui nomes de peso como Hamdi Ulukaya, fundador da Chobani, e Kruti Patel Goyal, CEO da Etsy. Contudo, como aponta uma reportagem da Fortune, a notícia mais relevante está em quem não consta na lista. A ausência de executivos das maiores instituições de Wall Street e das gigantes de tecnologia revela os limites dessa reaproximação e a desconfiança que a agenda de Mamdani ainda inspira na principal metrópole capitalista do mundo.

O cálculo político da ausência

A lista de ausências é um quem é quem do poder corporativo americano: JPMorgan Chase, Citigroup, BlackRock, Meta e Alphabet não enviaram representantes. Segundo o New York Times, alguns executivos foram sondados, mas recusaram o convite. As razões oficiais variam entre conflitos de agenda e preocupações com a exposição na mídia. A leitura nas entrelinhas, porém, aponta para um cálculo estratégico.

Em Wall Street, a discussão era se participar do conselho não seria visto como um endosso a políticas que o setor combate ativamente. A plataforma de Mamdani, que inclui propostas de aumento de impostos sobre corporações e grandes fortunas, coloca-o em rota de colisão ideológica com o establishment financeiro. Não à toa, Jamie Dimon, CEO do JPMorgan, já descreveu o movimento político do prefeito como “mais marxista que socialista”. A recusa, portanto, parece menos pessoal e mais programática.

Um diálogo possível, mas restrito

Ainda assim, seria um erro classificar a iniciativa como um fracasso. Quinze líderes empresariais aceitaram o convite, incluindo veteranos do mercado financeiro como Tony James, ex-presidente da Blackstone, e Robert Wolf, ex-CEO do UBS Americas. A presença deles, ao lado de empreendedores de sucesso, confere legitimidade ao conselho e sinaliza que uma ala do empresariado está disposta a dialogar, mesmo diante das divergências.

Scott Rechler, CEO da RXR, admitiu ter tido conversas duras com o prefeito sobre suas posições, mas afirmou acreditar na importância do engajamento. A lógica é pragmática: melhor ter um assento à mesa e influenciar o debate do que criticar à distância. O conselho de Mamdani nasce, assim, como um retrato da polarização atual. Ele funcionará como uma ponte, mas uma ponte que, por enquanto, não conecta as margens mais distantes do espectro político-econômico.

O grupo se reunirá trimestralmente, e o resultado prático dessa interação ainda é incerto. A questão que permanece é se a influência dos que toparam o diálogo será suficiente para moderar a agenda da prefeitura ou se a ausência dos titãs de Wall Street e do Vale do Silício falará mais alto, esvaziando o poder real do conselho.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fortune