O presidente da Mapfre, Antonio Huertas, delineou nesta semana um redirecionamento estratégico para a gigante espanhola de seguros. Durante seminário realizado em Santander, o executivo afirmou que o principal objetivo da companhia para os próximos ciclos é expandir sua presença nos segmentos de seguro de vida e aconselhamento patrimonial, áreas consideradas fundamentais para a sustentabilidade do negócio a longo prazo.

Embora a Mapfre mantenha uma posição sólida no setor de seguros automotivos, Huertas destacou que o apetite atual da empresa está concentrado na complementação da qualidade de vida dos segurados. A declaração ocorre em um momento de otimismo financeiro para a seguradora, que reportou recentemente o melhor primeiro trimestre de sua história, com lucro de 311 milhões de euros, um crescimento de 12,7%.

Foco em produtos de longo prazo

A estratégia de Huertas reflete uma tendência global no setor de seguros, onde a diversificação para além dos ramos tradicionais de danos físicos tornou-se imperativa. O foco em vida e aconselhamento patrimonial sugere uma busca por maior recorrência de receita e fidelização de clientes em um mercado cada vez mais competitivo.

Ao abordar o ecossistema de saúde, o executivo foi enfático ao descartar qualquer interesse em licitações como as do Muface. Segundo Huertas, a decisão de retirar a empresa desse modelo há 14 anos provou-se correta, indicando que a Mapfre prefere manter autonomia operacional e evitar exposições que não se alinhem com sua margem de rentabilidade desejada.

A integração da IA no setor

O pilar tecnológico da Mapfre repousa sobre um investimento anual de 1 bilhão de euros em inovação. Huertas defende que a inteligência artificial não é apenas uma ferramenta de eficiência, mas um elemento que trará convulsões inevitáveis aos modelos de negócio tradicionais, exigindo uma adaptação criteriosa de toda a organização.

Para mitigar os riscos dessa transição, a empresa criou uma academia de IA voltada à requalificação de seu quadro de funcionários. O executivo garantiu que não haverá demissões em massa decorrentes da automação, reforçando a responsabilidade corporativa na gestão da transição digital para trabalhadores de diferentes faixas etárias.

Responsabilidade na formação profissional

Um ponto central da visão de Huertas é a integração de jovens talentos no mercado de trabalho em conjunto com a IA. Ele classificou como um erro estratégico das empresas deixar de contratar recém-formados sob a justificativa de que a tecnologia pode realizar suas tarefas, defendendo que o futuro profissional exige uma combinação de formação humana e domínio técnico.

Para o setor, essa postura coloca a Mapfre em uma posição de liderança na discussão sobre ética e uso de ferramentas de IA. A empresa foi a primeira do Ibex 35 a publicar um manifesto público sobre o uso dessa tecnologia, sinalizando que a governança de dados e a transparência serão diferenciais competitivos.

Perspectivas de mercado

O horizonte para a Mapfre aponta para um crescimento moderado na Europa, em torno de 1%, e uma expansão global projetada em 3%. A incerteza reside na velocidade com que a base de funcionários absorverá as mudanças tecnológicas, um desafio que Huertas admite ainda estar em curso.

Acompanhar a capacidade da companhia em executar essa transição sem perder a eficiência operacional será o próximo teste para a gestão. O mercado agora observa se a aposta em vida e patrimônio conseguirá compensar as pressões de custo em outros segmentos.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España